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Serraglio se diz convencido sobre ‘acordão’ na Câmara

Folhapress
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São Paulo - O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse ontem estar convencido da existência de um acordo para poupar da cassação deputados supostamente envolvidos no escândalo do “mensalão”. Ele afirmou ainda que tem a obrigação de alertar a sociedade a respeito do que vê e ouve nos corredores do Congresso Nacional.

Já o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-SP), afirmou que a Câmara agiu de forma “corporativista” ao não cassar o deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), que foi beneficiado com saques das contas do publicitário Marcos Valério de Souza. “Eu respeito a Câmara dos Deputados, mas me preocupa essa decisão (Romeu Queiroz) porque havia provas do que tinha ocorrido. É muito perigoso o Congresso tomar uma atitude corporativista”, disse ele.

O líder do PT, deputado Henrique Fontana (RS), divulgou uma nota ontem pedindo que Serraglio se retratasse das declarações feitas no início da semana, quando criticou um suposto acordão em curso na Câmara. “Não basta fazer uma afirmação genérica. Para agir com a correção e a isenção que seu cargo exige, ele tem o dever de apontar os nomes de quem articulou o tal acordo acompanhado de provas”, disse Fontana. Serraglio não aceitou as críticas do petista. “Não posso me retratar daquilo que estou convencido pessoalmente. O acordão não é uma criação cerebrina minha”, disse ele.

“É um absurdo achar que eu não deva alertar sobre o que estou vendo e ouvindo nos corredores”, prosseguiu o relator. Para Serraglio, o fato de a Câmara ter poupado o deputado Romeu Queiroz embasa suas afirmações. “O resultado da última votação em plenário já é um alerta de que esse acordo existe”, disse Serraglio.

O presidente da CPI alertou para o risco que um acordão representaria na imagem do Congresso Nacional. “Acordo é uma coisa fora de qualquer propósito e eu acredito no bom senso do Congresso. O povo quer resultados e temos que ser coerentes com o que o Conselho de Ética (da Câmara) deliberar”, afirmou Delcídio.

Desde o início da crise quatro deputados renunciaram, dois foram cassados -Roberto Jefferson (PTB-RJ) e José Dirceu (PT-SP) - um foi absolvido e 11 estão na fila das cassações. Ele também criticou a intenção de seu próprio partido de apresentar um relatório paralelo no final da CPI. Apesar de o PT ter esse direito, segundo o regimento do Congresso, Delcídio afirmou que vai trabalhar para que isso não aconteça. “O importante na vida é aprender a usar seus direitos de forma construtiva, e não para criar cizânia e não levar a resultado nenhum”, disse o petista.

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