A meta da gerente do Centro Estadual de Abastecimento (Ceasa) de Bauru, Vanda Franzim Bertolotto, de transformar o espaço num amplo conjunto comercial, começa a sair do papel. Dez novos produtores, que comercializam suplementos agrícolas, massas, frios e embalagens, mostraram interesse nos últimos dias em instalar pontos-de-venda no local. Outros empresários, que já possuem lojas na unidade, também sinalizaram vontade de ampliar seus negócios.
Bertolotto, que assumiu a administração do Ceasa há pouco mais de um mês, quer diversificar os produtos oferecidos. O objetivo é disponibilizar, além de hortifrutigranjeiros e flores —os carros-chefes da empresa— peixes, carnes, bebidas, vestuários, sementes e até eletrodomésticos.
A iniciativa prevê ocupar os 1.200 metros quadrados, de um total de quatro mil construídos, que ainda estão ociosos. Se o plano der certo, a principal conseqüência será a minimização dos custos operacionais das empresas que trabalham na unidade.
Hoje, as despesas mensais do Ceasa atingem a casa dos R$ 68 mil. Desse total, R$ 25 mil são rateados entre os permissionários e o restante é subsidiado pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). “Assim que o Ceasa estiver 100% ocupado, a contribuição dos permissionários será menor. Na verdade, hoje, a unidade é um shopping de hortifruti. Precisamos mudar essa cultura aproveitando ao máximo os 100 mil metros quadrados de área que temos. Só assim atrairemos mais investidores”, analisa Bertolotto.
Para povoar os boxes desocupados, a gerente elabora uma política de incentivo, a qual oferece ao empresariado adequação de horário, de atendimento, melhor entrosamento com os órgãos públicos e até mesmo viabilização de eventos.
Segundo Bertolotto, 60% de todo o complexo está vazio. A única repartição totalmente utilizada é o galpão central, o qual dispõe de 140 módulos. Já o galpão A, destinado aos produtores da Agricultura Familiar, tem 14 dos 28 boxes ocupados.
Quanto à expectativa de vendas, a gerente se diz otimista. “Acredito que, com a vinda de novos produtores, haverá maior oferta de produtos. Desse modo, automaticamente, o consumo aumentará. A venda, em si, requer novas ofertas e é o que a gente vai ter em breve, isto é, diversificação”, completa.
Atualmente, afirma Bertolotto, os principais consumidores do Ceasa são os pequenos supermercadistas de Bauru e região. Ela ressalta ainda que seu projeto poderá facilitar a vida desses comerciantes, principalmente do município, com a proposta de pronta-entrega. A gerente exemplifica que, uma empresa de frios não terá mais a necessidade de fazer o pedido e aguardar pela entrega. Poderá adquirir a compra na hora.
As empresas interessadas em se instalar na unidade devem encaminhar suas propostas à própria gerência. O retorno sobre a possibilidade ou não de aprovação, ressalta Bertolotto, deve demandar algumas semanas. “Como somos uma empresa federal, tudo o que se faz dentro dela, requer licitações e autorizações por deliberação da diretoria na Capital”, explica Bertolotto.
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Movimentação em 2005
De acordo com o economista do Entreposto Terminal de São Paulo, Flávio Luís Godas, o Ceasa de Bauru teve um volume comercial em 2005 de 459 toneladas, o que resultou em R$ 42 milhões.
Foram comercializadas 14,2 toneladas de frutas, 15,6 toneladas de legumes, 3,3 toneladas de verduras e 12,2 toneladas de produtos caracterizados como diversos.
O economista não soube precisar dados comparativos a outros anos, já que a contabilidade geral do entreposto ainda não foi finalizada.