Economia & Negócios

Telespectador comandará TV digital


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A televisão sempre foi burra. Não, isso não tem nada a ver com a qualidade do conteúdo, mas com a tecnologia, em que a inteligência se encontra no centro da rede, nas emissoras, e os televisores oferecem poucas opções aos espectadores, como mudar de canal ou desligar. A partir deste ano, tudo começa a mudar. O Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), desenvolvido por pesquisadores locais, promete criar aqui, se deixarem, a TV aberta mais interativa do planeta.

Às vezes, ela se parece com a Internet. Ou vai além. O televisor - ou o conversor, que converte o sinal digital em analógico, para ser visto nos aparelhos atuais - tem capacidade de processamento e de armazenamento, como um computador. A inteligência e o comando passam a estar ao alcance dos dedos do espectador, seja pelo controle remoto ou por um teclado sem fio.

A Universidade Federal da Paraíba (UFPb) já demonstrou uma aplicação de torcida virtual durante evento na Universidade de São Paulo (USP). “Queremos levar para a TV a experiência coletiva de assistir a um jogo de futebol no estádio”, disse Guido Lemos, professor da UFPb. Com a torcida virtual, a imagem é a mesma transmitida pela emissora, mas o som é dos torcedores. Se tiver um canal de retorno, como um telefone ligado à televisão, poderá comentar e torcer com amigos que estão em várias partes do País ou do mundo.

A UFPb liderou um dos 22 dos consórcios do SBTVD. O grupo desenvolveu o FlexTV, um middleware, software que funciona como o sistema operacional do computador, fazendo com que os aplicativos tenham acesso aos recursos do equipamento.

Além da torcida virtual, o consórcio da UFPb demonstrou uma aplicação de educação a distância, que usa gravador digital de vídeo. Em inglês, Digital Video Recorder (DVR) ou Personal Video Recorder (PVR). Navegando por um menu na tela da televisão com o controle remoto, o professor programa o vídeo de que precisará para a próxima aula. Se ele for transmitido até o início da aula, o equipamento grava automaticamente. Se não, o gravador busca o vídeo por uma conexão de Internet. A tecnologia poderia ser usada também em casa, para o entretenimento.

Outro grupo, liderado pela Universidade de Campinas (Unicamp), desenvolveu mais uma alternativa de middleware. O sistema desenvolvido pelo consórcio permite programar a televisão para sintonizar um programa assim que ele começar. O espectador pode ver na tela informações como diretor e elenco do filme, país de origem e ano de lançamento.

O middleware da Unicamp também tem serviço de correio eletrônico na tela. “O espectador pode configurar qualquer sistema convencional de e-mail na televisão”, explicou Rodrigo Araújo, diretor-comercial da RCA Soft, de Campinas, empresa que participa do consórcio. Outra aplicação residente no middleware é o registro de perfis de usuário.

O consórcio da Unicamp também criou um sistema de ensino a distância, onde o espectador pode responder a questionários de múltipla escolha pela televisão, enquanto assiste a programas educativos. A aplicação também poderia ser usada para entretenimento. Um programa de televisão é capaz de fazer enquetes em tempo real, com as pessoas respondendo pelo controle remoto.

A interatividade e a Internet na televisão exigem, no entanto, um canal de retorno. Uma alternativa é o telefone fixo. Outra, o celular. Os consórcios da TV digital apresentaram mais duas alternativas: o WiMax, sistema de banda larga sem fio, funcionando em um canal de UHF e o CDMA450, mesma tecnologia usada pela Vivo no celular, numa faixa de freqüência diferente.

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