O avanço no tratamento da aids e a possibilidade de gestação com riscos reduzidos favorecem a adesão ao uso de medicamentos pelos portadores de HIV. O ginecologista e obstetra do Centro de Referência Marcelo Massao Kanamura, 38 anos, que orienta a maioria das gestantes da unidade, explica que o acompanhamento das gestações em Bauru tem reduzido para quase 0% o risco do recém-nascido soropositivo.
“Para a paciente engravidar, é necessário fazer com que a quantidade de vírus em seu organismo seja a menor possível, o que chamamos de ‘quantidade indetectável’”, diz Kanamura. Com a carga viral baixa, é possível programar a gravidez. “Temos um caso em que somente o pai era soropositivo. Quando ele chegou à carga viral zero, deixaram de usar camisinha e no primeiro mês ela engravidou. Voltaram para o preservativo e a mãe não foi contaminada”, exemplifica.
Outra paciente acompanhada por Kanamura tem apenas 27 anos, mora em Pederneiras e foi mãe pela primeira vez aos 15, quanto teve uma menina que hoje tem 12 anos. Em entrevista ao JC, ela narra sua preparação para a nova gravidez. Em seu segundo casamento, o primeiro marido morreu de aids, ela faz acompanhamento no Centro de Referência, onde programou sua segunda gravidez por oito anos. “No começo era para reduzir a carga viral e depois esperamos por motivos financeiros”, diz.
Com o especialista, a paciente fez todos os exames periódicos, nutricionais e se preparou para ter mais um filho. “Meu marido não é portador, então esperamos o momento mais adequado para engravidar”, recorda. Antes de engravidar, a jovem mãe trabalhava na lavoura. “Programei tanto que Deus realmente me abençoou, foi tudo muito tranqüilo, minha gravidez e mesmo o parto”, recorda.
O parto pode ser normal ou de cesariana, indicada quando a carga não está indetectável. “A vantagem da cesariana é a possibilidade de programação do parto sem romper a bolsa, empelicado, para evitar o contato com o sangue materno”, explica. As gestantes também são medicadas antes do parto”, diz.
A mãe de Pederneiras conta com o apoio constante do marido. “Ele me ajuda, troca fralda, dá banho, mamadeira. O bebê também é tranqüilo, se adaptou ao leite de lata muito bem”, diz. Ela continua tomando os medicamentos para manter sua taxa viral baixa. “Eu já parei uma vez e não gostei do resultado”, comenda.