Nem acordo com usineiros adiantou. Em todo o Estado de São Paulo, o preço médio do litro de álcool aumentou de R$ 1,650 registrado na primeira semana do ano para R$ 1,724, na semana passada. E o consumidor de Bauru também pode conferir o aumento. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) aponta que o álcool na cidade é o segundo mais caro do Estado. O preço máximo do combustível em Bauru chegou a R$ 1,799 - o mesmo valor também é praticado em São Paulo e Araçatuba.
Aferido em um posto da cidade no último dia 10, o valor é 5% mais caro do que a média de Bauru, que é de R$ 1,699 o litro. O preço novo chegou às bombas apenas cinco dias após o acordo firmado entre o governo federal e os donos de usinas para brecar o aumento indiscriminado do valor cobrado pelo álcool.
A pesquisa da ANP aponta que Araras e Carapicuíba possuem o álcool mais barato do Estado: R$ 1,499 o litro. Na região de Bauru, o combustível mais barato é encontrado em Ourinhos, onde o preço máximo nas bombas verificado pela ANP é R$ 1,610. Em Apiaí, no sul do Estado, as bombas registram o valor mais caro de todas as 117 localidades pesquisadas: R$ 1,850 o litro.
O levantamento realizado pela ANP foi feito em milhares de postos distribuídos em 117 cidades do Estado. Em Bauru, foram averiguados os preços de 95 estabelecimentos. Realizada desde 2000, a pesquisa conferiu os preços praticados na cidade no último dia 10. Wagner Siqueira, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo (Sincopetro), afirma que o preço do litro do álcool a R$ 1,799 não representa a maioria dos postos que comercializa o combustível na cidade. “Eu realmente não sei dizer o motivo desse aumento. É um caso isolado na cidade. A média daqui é R$ 1,699”, garante.
O resultado prático do acordo com os usineiros, se houver algum, só deverá aparecer na próxima semana, quando os estoques dos postos tiverem de ser renovados, diz Siqueira. “O preço ainda oscila, pois o acordo está muito recente”, aponta Siqueira. Segundo o Ministério da Agricultura, o álcool combustível deveria custar entre 5% e 15% a menos do que a ANP registrou na última semana. Na prática, entre R$ 0,95 e R$ 1,00.
Acordo
No último dia 11, usineiros garantiram ao governo federal que reduziriam o preço do álcool para R$ 1,05 o litro na saída de suas empresas. Também foi firmado acordo para aumento da produção em março e abril para garantir o abastecimento na entressafra. A produção mínima foi estabelecida em 850 milhões de litros, acima, portanto, dos 600 milhões de litros de safras anteriores. Também previu elaborar mecanismos de mercado junto ao setor privado de forma a reduzir a flutuação de preços entre o início da safra e o começo da entressafra.