Pesca & Lazer

História de pescador: Essa foi no rio Turvo


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“Quando nós saímos para fazer uma pescaria, acontece de tudo um pouco. Durante o preparo para sair, na viagem até a chegada ao rio, onde vamos pescar. Por isso, uma pescaria é sempre uma aventura que vamos enfrentar.

Foi o que aconteceu quando foi combinada uma pescaria até o rio Turvo. Isso foi na década de 80, e combinamos fazer uma peixada na beira do rio. A primeira besteira foi confiar muito na pescaria e levar somente pão para comer, junto com as ‘traias’ de cozinha. Arroz, café, açúcar, óleo, temperos e limão para a caipirinha e muita cachaça, que não foi pouca, porque cada um levou sua dose, alguns deles até que exageraram, levando garrafão. Também não esquecemos de tarrafa e redes para garantir a pescaria.

No sábado pela manhã, saímos da Vila Falcão – eu e mais quatro pirangueiros com a Kombi do Armando Bigarato, ‘que hoje já não está mais junto a nós’ - e rumamos até a Bela Vista para apanhar outros pirangueiros. Éramos em 11 ao todo. Partimos com destino ao rio Turvo, jogando uma trucada que não deu nem para sentir a viagem. Chegando lá, já começou a aventura. Encontramos a água do rio barrenta, pois havia chovido na cabeceira do rio. Fazer o quê?

Descarregamos as ‘traias’, que foram ajeitadas em um barraco abandonado, caindo aos pedaços, e eu e mais dois companheiros ficamos no barraco para ajeitar um fogão e dar um jeito no lugar para passarmos a noite. Ficamos à espera dos companheiros que saíram em duas turmas, uma com suas varas e anzóis e outra com suas tarrafas e redes. Nós fomos jogar truco para a hora passar.

Já estava começando a escurecer quando chega a turma que tinha saído para pescar com as varas, com quatro ou cinco mandis-chorões. Voltamos à trucada, agora com mais parceiros. E lá vai ‘mé na cuca’, e a fome apertando. Às sete horas da noite, chegou a turma que saiu com redes e tarrafas e nada de peixes, porque estava descendo muita tranqueira e não deu para jogar a tarrafa e nem para armar as redes. Com a fome que apertava cada vez mais, o jeito era apelar para o arroz puro mesmo.

Quando o Armando disse:

- Esperem um pouco...

Ele convida dois companheiros e sai com sua Kombi noite adentro, e falou:

- Vou ver se consigo achar alguma mistura para o jantar!

Nesse momento, começa o maior rebu em um canto do barraco, um cara que veio com a turma da Bela Vista e que já tinha tomado todas começava a aprontar. A surpresa foi que ninguém conhecia o cara, ele veio de carona, foi preciso dar um chega pra lá no sujeito e deixar ele em um canto curtindo seu porre.

Não demorou muito chega o Armando com duas galinhas gordas, uma delas era preta, e disse que tinha comprado de um sitiante da redondeza. Até hoje ainda duvido da compra das penosas, mas deixa pra lá. Preparamos as penosas e colocamos mais ‘mé na cuca’ e fomos jantar, nem os ossos sobraram. Barriga cheia, voltamos à trucada que varou a madrugada. Amanheceu, fizemos um café com a água do rio mesmo e ninguém reclamou do gosto.

A pescaria, se houve, já era hora de voltarmos para casa, e na entrada de Bauru largamos o nosso ‘pau d’água’, que até hoje não tivemos notícias dele.

A peixada não deu, mas a canja de galinhas gordas estava boa e desceu bem. Pudera, com os ‘més na cuca’, tudo descia, graças ao Armando e suas penosas, que deve ter encontrado em alguma encruzilhada. Foi mais uma aventura de pescaria e outras que virão.”

Florindo Martins pescando ainda

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