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Telefonemas comprovam tráfico de influência de nomes ligados a Palocci

Folhapress
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Brasília - A CPI dos Bingos informou ontem que mantém como prova de corrupção e tráfico de influência contra um ex e um atual assessor do ministro Antônio Palocci (Fazenda) uma planilha que lista 1.411 ligações telefônicas trocadas entre Vladimir Poleto -suspeito de transportar dólares de Cuba- e Ademirson Ariovaldo da Silva, assessor de Palocci. Os telefonemas ocorreram de março de 2003 a agosto de 2005.

Em depoimento prestado anteonem à CPI, Palocci procurou desqualificar o relatório. O ministro disse que Ademirson fez uma perícia na planilha e constatou dados sobrepostos, chamadas não completadas e “15 ligações no espaço de 39 segundos”. Ontem a CPI informou que não enviou nenhum documento oficial com a planilha de telefonemas que permitisse a Ademirson fazer a perícia. Ainda segundo a comissão, o documento foi entregue anteonem ao ministro pelo senador Demóstenes Torres (PFL-GO).

A reportagem procura há duas semanas, por meio da assessoria do Ministério da Fazenda, obter uma posição do assessor de Palocci sobre sua relação com Poleto. Ontem, por orientação da assessoria, a reportagem mandou um e-mail com perguntas, mas não obteve resposta novamente. Poleto foi chefe de controle interno da Prefeitura de Ribeirão Preto na segunda gestão de Palocci na cidade, em 2001 e 2002.

A CPI investiga se Poleto transportou até US$ 3 milhões de Brasília a São Paulo em 31 de julho de 2002. O dinheiro, supostamente trazido de Cuba, teria ido para caixa dois da campanha eleitoral, coordenada por Palocci, do então candidato Luiz Lula da Silva. Em depoimento à CPI em novembro passado, Poleto negou todas as acusações contra ele. Palocci disse que a história é fantasiosa. Um ex-assessor seu, ainda dos tempos da prefeitura em 1993, Rogério Tadeu Buratti, confirma a versão.

No caso das 1.411 ligações, a CPI usou os dados para pedir o indiciamento de Ademirson e Poleto, no caso GTech, por formação de quadrilha, tráfico de influência, corrupção passiva, crime contra o procedimento licitatório e improbidade administrativa. O relatório será votada na terça. O relator da CPI, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), afirma que houve negociação e pagamento de propina pela GTech para renovação de um contrato, em abril de 2003, com a Caixa Econômica Federal destinada à operação de loterias.

Garibaldi diz suspeitar que o dinheiro tenha ida para o PT. Conforme a CPI, Poleto e Ademirson teriam participado da negociação com a GTech e outros ex-assessores de Palocci. A CPI apontou ainda ilegalidade na conduta de outras 32 pessoas, incluindo o presidente da Caixa, Jorge Mattoso. Anteontem, o ministro disse “confiar plenamente” em Mattoso a quem indicou para o cargo.

Após o depoimento do ministro à CPI, o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) apresentou uma emenda ao relatório de Garibaldi pedindo o indiciamento também de Palocci. Garibaldi afirmou que, por enquanto, não pretende acusar o ministro no caso GTech, mas não abre mão das ligações como prova do envolvimento de Ademirson.

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