No início do mês, o Diário Oficial de São Paulo publicou novas regras de uniformização para os guardas civis metropolitanos (GCMs). São aproximadamente 80 linhas que devem ser seguidas rigorosamente. Barba, costeleta e cavanhaque são proibidos. Bigode é permitido, desde que ele não ultrapasse a grossura labial. O cabelo deve ser curto e bem aparado. Tatuagens são liberadas, desde que sejam discretas e fiquem escondidas sob o uniforme.
Para as policiais femininas, a lista de exigências é mais extensa e vai desde corte de cabelo até maquiagem – esse quesito inclui quase 20 itens padronizados. Somente batom em tons claros e lápis para olhos em tonalidades preto, marrom ou incolor são permitidos.
Nas unhas, esmaltes claros. Os cabelos não podem ultrapassar a linha do ombro e devem ser presos em um coque baixo e fixado na altura da nuca. Madeixas tingidas ou com luzes, nem pensar. Acessórios como laços, enfeites coloridos ou exagerados estão dispensados, inclusive em solenidades de gala.
Novidade para o efetivo da Guarda Municipal, essas exigências são seguidas à risca por toda a corporação da Polícia Militar (PM) de Bauru. Desde cedo - ainda na escola para formação de soldados - os alunos aprendem regras de uniformização e postura, aponta o tenente Alessandro Rosseto da Silva, do Comando de Policiamento do Interior (CPI-4).
Durante o curso, que dura em média oito meses, explica o tenente, os alunos passam por uma fase de adaptação da vida civil para a militar. “Na escola se aprende a acordar cedo, lavar e passar roupa, fazer a barba todos os dias e manter o cabelo curto”, detalha.
O mais importante, porém, é a mudança de comportamento estimulada pelo ingresso na carreira militar, destaca o tenente, há 16 anos na corporação. “Ser policial envolve tudo. O fato de usar farda muda nosso comportamento. Em locais públicos, precisamos estar sempre atentos. Mesmo nas horas de folga, na volta para casa, prestamos atenção nas pessoas; no ônibus, por exemplo, nos posicionamos em um ponto específico e observamos quem entra e o que acontece em nossa volta”, diz.
O cabo Luís Henrique Haenle, do Policiamento Rodoviário, compartilha do mesmo pensamento de Rosseto. “Toda vez que o policial está em local público, é o centro das atenções. Se acontecer algum incidente, ele é a primeira pessoa a ser chamada”, diz.
Força do hábito
Além do aspecto comportamental, quando estão em folga ou durante as férias, a maioria dos policiais mantém o mesmo visual exigido no trabalho. Excluindo-se a farda, eles optam pelo cabelo curto e bem aparado e barba feita, caso do soldado Mário Evangelista de Souza, da Cavalaria do 4.º Batalhão da Polícia Militar (BPMI).
“É habitual. Quando estou de folga não gosto de deixar a barba crescer. Isso causa desconforto e, se olho no espelho, me acho horrível”, revela Souza, que quis ser policial desde a infância. O soldado Edson Aparecido Clementino, da Cavalaria do 4.º BPMI, também segue o mesmo comportamento do colega de profissão. “No começo tive certa dificuldade em me adaptar ao padrão militar, mas logo me acostumei. Hoje isso é natural e se tornou um hábito”, observa.
Usar a farda e seguir as exigências da PM são fundamentais no dia-a-dia dos policiais porque, além de padronizar, servem como proteção, aponta o soldado Ricardo Antônio do Amaral, da Força Tática. “A farda é nossa segunda pele depois que entramos na polícia. Embora seja quente no verão, o colete, por exemplo, é essencial porque é nossa vida que está em risco”, reforça.
As altas temperaturas da estação afetam ainda mais os policiais do Corpo de Bombeiros. Além do uniforme básico, que inclui calça e camisa da mesma cor, bota de couro e cinto operacional, é necessário usar capa protetora e capacete durante ocorrências envolvendo produtos perigosos e acidente de trânsito.
Em incêndios, os bombeiros devem acrescentar ainda botas com proteção especial para pisar em brasas, aponta o soldado Adalberto Gonzalez Dainezi, do Corpo de Bombeiros. Há cinco anos na corporação, ele não enfrenta dificuldades em seguir as normas de uniformização da PM.
“O perfil segue os moldes militares e como já passei pelo Tiro de Guerra, encaro a farda como uma roupa normal de trabalho”, avalia Dainezi.
A soldado Luciana Gisele Garcia Prudente, do Departamento de Assuntos Civis do CPI-4, também não encontrou dificuldades em adotar as regras da PM. “Elas não interferem porque muitas coisas já faziam parte do meu comportamento”, pontua.
Luciana conta que sempre usou maquiagem e acessórios discretos, uma das exigências da profissão. Com o cabelo preso em coque, unhas pintadas de tons neutros e batom suave, ela não dispensa o uso de um brinco pequeno e de pedra, tudo bem discreto, como ditam as normas militares.