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Lelo’s Batidas e Nações Unidas: a história da cidade no balcão do bar

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Ponto de referência na avenida Nações Unidas, a história do Lelo’s Batidas, que hoje completa 30 anos, se confunde com a história da avenida e com a do próprio dono. Quando Rogério Pereira Arcângelo, o Lelo, começou a vender batidas num trailer estacionado na esquina da avenida Nações Unidas com a sua Constituição, o parque Vitória Régia ainda nem existia e a Nações só ia até a avenida Duque de Caxias. Entre as lembranças que marcaram o período, a explosão que destruiu parte da avenida em agosto de 1976. Foi a única vez que o bar saiu da Nações.

O trailer foi rebocado até a avenida Nuno de Assis, onde permaneceu até a recuperação da avenida. Quando voltou, assumiu um ponto embaixo do viaduto da Duque de Caxias, onde ficou por 18 anos. Depois ficou um tempo numa esquina depois da Praça da Paz e voltou para perto do viaduto da Duque de Caxias. Atualmente, o bar conta até com uma filial, perto da Praça Portugal. “Casal que começou a namorar na época do trailer, hoje já traz os netos para comer um lanche aqui”, conta Lelo, orgulhoso dos clientes que freqüentam o bar desde 1976.

O autônomo Milton Paschoal Jr. é um deles. Começou a ir no Lelo’s aos 18 anos e até hoje não deixa de aparecer no bar. “Pelo menos umas três vezes por semana”, revela. Sobre esses anos, Paschoal destaca a amizade entre Lelo e seus clientes. “Morei sete anos nos Estados Unidos. Quando voltei, cheguei no Lelo’s e pedi um sanduíche. Ele se virou para o chapeiro e disse: ‘solta um Bauru salada!’. Ele ainda se lembrava do meu lanche preferido”, conta.

Lelo tinha 21 anos quando abriu o bar e nunca mais deixou o balcão. Hoje, a família já está formada, os três filhos já estão grandes e todos, inclusive a esposa Eliana, ajudaram no dia-a-dia do estabelecimento. “Nunca tive problemas com vizinhos, nunca teve confusão nenhuma aqui. Só tenho a agradecer todo mundo de Bauru”, diz. Hoje, aos 51 anos, se emociona com as histórias que marcaram o bar. “Foram tantas histórias, tantas copas do mundo. Até perdi a conta do número de liqüidificadores que já queimaram aqui”, recorda.

Uma das que mais gosta é sobre uma batida que criou para a Torcida Carinhosa, que acompanhava os jogos do time do Parquinho. “Era 1980 e a torcida pediu que eu inventasse uma bebida só para eles. Até hoje ela é vendida. É só pedir a Carinhosa”, lembra. As batidas, aliás, ainda são o carro chefe do bar. As mais vendidas são a de morango com vinho e a feita com bombom.

Lelo resolveu dar uma canja e disse como preparar o seu famoso “capeta”. “É só bater abacaxi, pó de guaraná, canela, vodca, groselha e gelo à vontade”, ensina. E para quem exagerar na bebida, a solução também está na ponta da língua: “Não tem outra coisa melhor que água tônica com limão”, revela.

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