Internacional

País é ‘viciado em petróleo’, critica George W. Bush

Folhapress
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Washington - O presidente dos EUA, George W. Bush, deveria insistir, no seu discurso sobre o Estado da União previsto para a noite de ontem - não realizado até o fechamento desta edição -, que o país permaneça engajado no cenário internacional, rejeitando as críticas internas segundo as quais os americanos já foram longe demais.

Segundo trechos adiantados pela Casa Branca, Bush, cuja família é do ramo petrolífero, diria ainda que os EUA estão "viciados em petróleo" e que deveriam buscar se desvencilhar da dependência de combustível oriunda de partes instáveis do mundo.

Diante de um país dividido, uma agenda interna estagnada e três anos de dificuldades políticas pela frente, Bush falaria sobre guerra e temas consensuais com a oposição, pedindo a cooperação dos democratas em temas que considera vitais.

Segundo Steven Hill, do New American Foundation, o foco de Bush na guerra revela que sua gestão não possui planos claros para temas como o aquecimento global, energia ou saúde.

Diferentemente de outros especialistas, porém, ele não vê possibilidade de Bush perder a dianteira política. "A nação é bastante dividida entre republicanos e democratas. E, infelizmente para os democratas, suas previsões nas eleições legislativas não são tão boas."

Na avaliação de John Samples, do Instituto Cato, o presidente americano deve reconquistar alguma popularidade, o que não evitaria mais dificuldades políticas.

A estratégia de Bush se torna particularmente interessante num ano em que o Congresso deve ser renovado, e alguns analistas apontam a possibilidade de seu Partido Republicano perder o domínio de uma das Casas.

Um discurso em prol da união dos partidos, neste caso, resgataria um pouco de sua popularidade, que vem caindo nos últimos meses por conta da pior crise política por que Bush já passou no cargo de presidente.

Nos últimos cinco meses do ano, a Casa Branca precisou responder de suspeitas de corrupção sobre os principais líderes republicanos no Congresso às falhas na ajuda de vítimas do furacão Katrina na região da Costa do Golfo do México.

Na semana passada, Bush viu prejudicado um dos grandes trunfos que usava em seus discursos. A economia patinou no último trimestre do ano e fechou 2005 com um crescimento de 3,5%, nada desesperador, mas o menor índice dos últimos três anos.

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