Pesca & Lazer

História de pescador: Rio Aquidauana


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A minha primeira pescaria no Pantanal do Mato Grosso foi a maior furada da minha vida. Eu conhecia muito pouco os companheiros e éramos todos marinheiros da primeira viagem.

Combinamos a pescaria no rio Aquidauana. Éramos seis ao todo. O líder era José mais seu irmão. Eles tinham uma oficina que fabricava estrutura metálica para posto de gasolina, que ficava bem de frente da oficina onde eu trabalhava. Além dos irmãos, foram mais três empregados deles. Fui convidado e entrei nessa pescaria. A viagem seria em uma caminhonete rebocando uma carreta. Tudo foi colocado sobre a carreta, bote, motor, barracas e todos apetrechos de pescaria para ficarmos acampados uma semana. Na madrugada de uma quinta-feira saímos de Bauru todos ansiosos para a primeira pescaria no Pantanal. Era o ano de 1982 mês de agosto. Chegamos a Aquidauana às 15h e ninguém sabia o lugar exato da pescaria. Depois de muitas perguntas pela cidade, conseguimos um ponto de pesca em uma fazenda que se chamava Três Porteiras, que ficava a 30 quilômetros da cidade. Depois de muitos erros pelo caminho, chegamos à fazenda às 17h da quinta-feira. Descarregamos as traias, colocamos o bote no rio, tendo ficado três companheiros para montar o acampamento. Eu, o José e o irmão dele fomos rio abaixo para conhecermos os pontos pesqueiros. Na volta quebrou a gaveta da hélice do motor. Feita a troca da mesma, depois do que não foi colocado o contra-pino na porca da hélice. Ao chegar ao acampamento, a primeira desavença. Um dos seus empregados já tinha tomado todas - e por azar, tinha tomado o conhaque do patrão. Depois de muito bate-boca os ânimos foram serenados. Fizemos uma janta rápida e antes de dormir tiramos a sorte no palito para ver quem iria pescar no dia seguinte. No barco só iria quatro. Quem ficasse, iria no dia seguinte. Eu tive a sorte de ficar e junto, ficou o tal pé-de-cana. No final da história ficarão sabendo porque eu disse que tive sorte!

Sexta-feira bem cedo saíram os quatro com as suas traias para a aguardada pescaria e ficou combinado que voltariam de madrugada. Eu falei para o companheiro. Vamos à pesca? E fomos até a barranca do rio perto dali. Eu estava para a estréia de uma vara com molinete novinha em folha. E lá vai o primeiro arremesso, que também foi o último, porque eu fico a espera de uma fisgada, e nada de peixe querer estrear a minha traia. Esperei uns minutos e nada. Caí na besteira de colocar a vara de espera, e olha que ela estava bem segura no barranco, e fui até o rancho pegar uma linhada. Não deu outra. O colega grita: "Corre, corre. A sua vara vai indo embora". E foi mesmo. Fiz de tudo para recuperá-la, mas em vão. Comecei bem a minha primeira pescaria no Pantanal.

Comecei a pescar com a linhada de mão. Precisava pegar algum peixe, e peguei: um enorme “armal” o peixe mais desprezado do rio. E depois pesquei uma arraia. Bem, a pescaria já era para mim. A noite chegou, jantamos e ficamos jogando cartas a espera dos pirangueiros até as 3 da madrugada e fomos dormir.

No dia seguinte, que era sábado, deu 11h e nada deles aparecerem. Já estávamos para descer o rio em uma barcaça que ia buscar peixes dos pescadores profissionais rio abaixo, mas ao longe avistamos um barco rebocando outro barco, mas só se via o piloteiro do primeiro. Só quando ele chegou bem perto notei os quatro companheiros deitados no fundo do barco. Estavam todos com os rostos inchados das picadas dos mosquitos. E ao descer do barco, o Zé falou: "A pescaria acabou! Vamos embora". E começou a contar o que tinha acontecido. "Naquela noite, ao recolher os anzóis de galho e ao dar marcha-ré no motor, a porca da hélice se soltou e caiu no rio. O lugar era fundo e lamacento e não deu para recuperar a hélice. A noite estava escura e nós só tínhamos faroletes a pilha. Aí nós improvisamos mais dois remos com as tábuas do barco e começamos a remar rio acima. Com o rio cheio de curvas estava difícil a subida, e os pernilongos atacando cada vez mais. Já bem de madrugada, quando encontramos um acampamento de pescadores, eles nos acolheram. Depois de comer um pouco, passamos a noite lá com eles. E lá pelas 10h eles nos rebocaram até aqui e foi isso que aconteceu."

O acampamento desmontado e 17h daquele sábado, debaixo de uma chuva fina e muito fria, partimos. Aí sobrou a direção para mim. Os outros motoristas não estavam em condições para mais nada. Viajamos a noite toda, chegando a Bauru domingo, às 6h. O peixe que conseguimos trazer não deu nem para repartir.

Depois desta, aprendi ter algumas precauções. Uma delas é sempre ir a uma pescaria no Pantanal com pessoas que conheçam o que é pescar no Pantanal.

Eu voltei várias vezes ao Pantanal, mas nunca mais aconteceu algo semelhante. Até hoje ainda estou com saudade da minha vara e o molinete que ficou lá no rio Aquidauana.

E ao saírem para pescar de barco, é bom subir o rio porque rio abaixo todo santo ajuda.

“Aquidauana, Saudades”

Ainda continuo a pescar.

Florindo Martins

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