Brasília - Sócio da Guaranhuns Empreendimentos, José Carlos Batista disse ontem à CPI dos Correios que fez um contrato de R$ 10 milhões com Marcos Valério Fernandes de Souza sem conhecer o publicitário, que é apontado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como operador do suposto “mensalão”. “Para operar no mercado financeiro não é preciso conhecer ninguém. Fiz um contrato com o Marcos Valério, mas não o conheço. Para mim, trabalhar para ele (Marcos Valério) é igual a trabalhar para o José ou para o João.”
Batista foi indiciado em agosto do ano passado pela Polícia Federal sob a acusação de lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e prática de crime contra o sistema financeiro. Aos parlamentares, ele disse também que não conhece os sócios majoritários da Guaranhuns, empresa da qual detém 1% do controle acionário. “Sei que 99% da empresa estão nas mãos da Esford trading (empresa aberta no Uruguai), mas não sei quem são os seus donos.”
Sub-relator da CPI, o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) apresentou um documento, registrado em cartório, revelando que Batista também tem participação na Esford. “Como estou aqui na condição de investigado, e não de testemunha, não quero falar sobre este assunto”, respondeu Batista. Segundo ele, o valor do contrato assinado com o publicitário mineiro foi repassado para o PL.
Nervoso e irônico a maior parte do seu depoimento, o sócio da Guaranhuns disse ter um patrimônio de R$ 300 mil “não declarado ao fisco”. “Não declarei porque não quis declarar”, disse o sócio da Guaranhus. Ao ser confrontado por ACM Neto de que teria ganho R$ 7 milhões entre 2001 e 2005, José Carlos Batista disse não “reconhecer os números”.
Operador do mercado financeiro há 30 anos, José Carlos Batista disse que está sendo tratado como “fantoche ou laranja”. Ele afirmou, inicialmente, que estava depondo beneficiado por um habeas corpus expedido pelo Supremo Tribunal Federal.
Meia hora depois, a assessoria jurídica do Senado descobriu que o próprio ministro estabeleceu como prazo de validade do habeas corpus o primeiro depoimento de Batista à CPI, no ano passado. A partir desta constatação, o operador do mercado financeiro se recusou a responder as indagações, já que, por ser investigado e não uma “testemunha”, tinha o direito de ficar calado. Ao final, ACM Neto disse que João Carlos Batista não contou a verdade. “Ele é um laranja a serviço de outras pessoas e isto ficou comprovado.”