Moscou - O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, afirmou ontem que Moscou fornecerá combustível nuclear ao Irã se o país aceitar a proposta de enriquecer urânio em território russo.
O ministro afirmou que a Rússia garante o fornecimento de combustível à usina nuclear de Bushehr e para todas as outras necessidades de geração de energia nuclear pacífica. As declarações foram dadas depois que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, questionou a proposta russa em seu discurso ontem.
A usina nuclear de Bushehr - projeto que custou US$ 800 milhões - é uma fonte significativa de recursos para a Rússia. A União Européia (UE) e os EUA apoiaram a proposta russa de enriquecer urânio para o Irã, como possibilidade de resolver o impasse sobre o programa nuclear iraniano.
O negociador iraniano para as questões nucleares, Ali Larijani, visitou Moscou na semana passada para discutir a proposta, que, segundo ele, precisa ser “melhor elaborada.”
No dia 10 de janeiro, o Irã removeu os lacres em seu centro de pesquisas nucleares para o enriquecimento de urânio, anunciando que retomaria a “pesquisa e desenvolvimento” nucleares com urânio, causando imediata reação dos EUA, União Européia (UE) e Rússia. Segundo a AIEA, o país planeja enriquecer urânio - material com utilidade militar.
EUA e União Européia (UE) tinham pedido ao país a interrupção de atividades nucleares de potencial uso bélico. A posição do Irã dificulta ainda mais as relações do país com os EUA - que acusam o governo iraniano de querer desenvolver armas atômicas de destruição em massa. O Irã nega as acusações, alegando que seu programa nuclear é totalmente pacífico.
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China não apóia sanções
A China anunciou ontem que não deverá apoiar a imposição de sanções econômicas ao Irã se não houver “provas claras” de que o país do Oriente Médio pretende produzir armas nucleares.
Embora tenha concordado em reportar ao Conselho de Segurança da ONU o caso do Irã, os chineses, que têm direito a veto nesse conselho, dizem não ver, neste momento, necessidade de impor sanções.
Diplomatas reunidos no encontro da Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU (AIEA), em Viena, na Áustria, terminaram ontem de acertar os detalhes da resolução que reporta ao CS as atividades nucleares do Irã.
Embora os membros da AIEA que irão apresentar a resolução esperem que ela seja aprovada pela maioria dos 35 membros de seu Conselho de Governadores, a votação foi adiada para hoje a fim de que, segundo informaram diplomatas, eles tentem convencer países que pretendem se abster da votação ou vetar a resolução a apoiá-la.