Internacional

Agência de Energia Atômica decide reportar Irã ao Conselho de Segurança

Folhapress
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Teerã - A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) decidiu ontem reportar o Irã ao Conselho de Segurança da ONU, expressando a preocupação de que o programa nuclear iraniano pode não ser “exclusivamente para fins pacíficos”.

Teerã respondeu anunciando retaliação imediata, com o início da produção de urânio enriquecido em escala total e o veto à inspeções de suas atividades nucleares.

A decisão, adotada após votação pelo Conselho de Governadores da agência, abre a possibilidade de que o CS adote sanções políticas e econômicas contra o Irã. No entanto, dois membros permanentes do CS, a Rússia e a China, concordaram com a decisão de reportar o Irã com a condição de que eventuais sanções não sejam aplicadas até pelo menos março próximo, compromisso mantido na resolução.

O texto, preparado pela União Européia e apoiado pelos EUA, foi aprovado por 27 dos 35 países do Conselho de Governadores, inclusive o Brasil. Apenas três países -Cuba, Síria e Venezuela- votaram contra. Outros cinco -Argélia, Belarus, Indonésia, Líbia e África do Sul- se abstiveram.

A resolução ressalta “as muitas falhas e violações de obrigações pelo Irã” do Tratado de Não-proliferação e expressa “a falta de confiança de que o programa nuclear iraniano seja exclusivamente para fins pacíficos”. Pede, ainda, que o diretor-geral da AIEA, Mohammed El Baradei, informe ao Conselho de Segurança os passos que o Irã deve adotar para dissipar as suspeitas sobre suas ambições nucleares.

Entre outros pontos, a resolução exige que o Irã volte a congelar as atividades de enriquecimento de urânio e dê à AIEA maiores poderes de inspeção de seu programa.

O chanceler britânico, Jack Straw, disse ontem que as sanções serão “quase inevitáveis” se Teerã se recusar a suspender seu programa nuclear. “O Irã ainda conta com a oportunidade, entre agora e a reunião do Conselho de Governadores da AIEA em março, de se colocar em conformidade com esta resolução”, afirmou .

Em Munique (Alemanha) para uma conferência sobre segurança, o secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, instou a comunidade internacional a trabalhar por uma “solução diplomática” para o caso. “O regime iraniano é hoje o principal Estado no mundo a patrocinar o terrorismo. O mundo não quer, e deve trabalhar em conjunto para evitar, um Irã nuclear”, afirmou.

A chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, também em Munique, comparou o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao ditador nazista Adolf Hitler. Fazendo alusão à ascensão de Hitler nos anos 1930, Merkel afirmou: “Hoje vemos que houve tempos em que poderíamos ter agido diferentemente. Por esta razão, a Alemanha é obrigada a mostrar (ao Irã) o que é permissível e o que não é”.

“O Irã cruzou a linha vermelha abertamente. Um país que questiona o direito de Israel de existir e que nega o Holocausto, não pode esperar receber qualquer tolerância da Alemanha’’, acrescentou a chanceler alemã.

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