Aos 5 anos, o bauruense Lucas Bittencourt Franco fez um pedido especial ao Papai Noel: se tornar mágico. Como muitas crianças, ele se encantava com os programas de ilusionismo apresentados em programas televisivos. Passou a criar pequenos truques e brincadeiras para mostrar aos amigos. Ganhou dos pais o primeiro kit contendo algumas mágicas e pouco tempo depois entrou na academia dos mágicos Átila e Rose.
Aperfeiçoou seus números e hoje, aos 11 anos, Lucas é nome de destaque na área de ilusionismo da cidade. Na carreira, somam-se cerca de 50 shows apresentados em Bauru e região. E o currículo promete ficar ainda mais extenso. Isso porque ele, considerado um dos mágicos mais jovens do Brasil, também é exemplo de dedicação e amor ao seu trabalho.
Apesar de ter o mesmo cotidiano de outras crianças - o qual inclui estudos, tarefas escolares e brincadeiras com os amigos -, Lucas treina os números de mágica constantemente, em especial nos dias anteriores às apresentações. Para isso, usa a sala de sua casa como palco. O “público” é formado pelos pais, os comerciantes Paulo Roberto da Silva Franco e Meire Bittencourt Franco, além do irmão Luigi, de 1 ano e 7 meses.
A família, aliás, incentiva e tem papel fundamental no trabalho de Lucas. Diversos aparelhos de ilusionismo, como a mesa desmontável que se transforma em maleta, foi confeccionado pelo pai, que é o DJ durante os shows do mágico-mirim. A mãe, que é a partner de Lucas nas apresentações, cuida das três pombas e de um mini-coelho que vivem no quintal da residência e aparecem em alguns números de ilusionismo. Além disso, ela ajuda o pequeno na hora de escolher as roupas e adereços de mágico.
O suporte familiar contribui para a evolução do trabalho de Lucas, que afirma considerar o ilusionismo como “um grande amigo”. “Pretendo sempre ‘estar’ com a mágica. A amizade nunca se acaba e a mágica vai estar sempre junto comigo”, conta. Acompanhado dos pais, ele revela detalhes de sua carreira.
Jornal da Cidade - Quanto tempo você tem de carreira?
Lucas Bittencourt Franco - Começei aos 5 anos. Assistia programas de televisão e gostava muito de ver os mágicos. No Natal eu pedi a mágica de presente para o Papai Noel porque eu estava muito interessado nisso.
JC - Nessa época havia alguém em sua família ligado à mágica?
Franco - Não. Eu vi na TV, em programas como o da Eliana e do Lipan Jr. Eu assistia e passei a me interessar.
JC - Como você começou a trabalhar com mágica?
Franco - Fazia mágicas para minha família, em aniversários e no Natal. Eu fui evoluindo e com 7 anos começei a me apresentar para o público. Na escola fazia alguns números porque a escola é puxada e não sobrava muito tempo. Meus amigos gostam, se interessam pela mágica e acabam se divertindo.
JC - Sua família apóia seu trabalho?
Franco - Sempre apoiou bastante. Quando ensaio as mágicas, eles dão opinião e ajudam muito. Meu pai faz os aparelhos de mágica, como minha mesa desmontável que se transforma em maleta, e a caixa para aparição de pombas e coelhos. Tenho vários tipos de mágica de salão, que são feitas no palco e dão um impacto bonito.
JC - Você se inspira no trabalho de algum mágico?
Franco - Sim, o Átila e a Rose. Eles dão muito apoio para mim e na academia deles há vários mágicos. Nós damos apoio uns para os outros e isso também me ajuda.
JC - Quantos espetáculos você já apresentou?
Franco - Muitos. Mais de 50 shows em eventos, aniversários e formaturas de criança.
JC - Qual foi seu primeiro número de mágica?
Franco - Começei com clip de escritório. Pegava um, emendava no outro, fazia mágicas. Eu criava tudo na minha cabeça antes de pedir os kits de mágica para meus pais.
JC - E hoje, quais são as mágicas de destaque no seu trabalho?
Franco - As principais são as de salão, que eu faço no palco, com aparelhos maiores, como aparição de pomba e coelho e brincadeiras. Essas são as mágicas que eu mais gosto, mas há vários tipos de mágica. O de baralho é close-up, que é feita diretamente para a pessoa (em ambientes menores). Mas eu gosto mais das mágicas apresentadas nos palcos.
JC - Essa também é a preferência do público, em especial das crianças?
Franco - Parece que elas não piscam o olho e em todas as mágicas as pessoas sorriem. Dá para perceber a alegria. As crianças gostam das mágicas com as pombas e coelhos.
JC - Como você lida com os animais? Eles vivem em sua casa?
Franco - Sim. Tenho três pombas e um mini-coelho e treino bastante com eles.
JC - De que forma você se especializou na carreira de ilusionista?
Franco - Fiz várias apresentações e fui evoluindo.
JC - E se eu te perguntasse como você faz determinada mágica? O que você responderia?
Franco - Eu não poderia contar. E te faria uma pergunta: “Se eu te contasse você não contaria para ninguém?”
JC - Não.
Franco - “Eu também não” (risos). Os mágicos nunca podem revelar seus truques.
JC - Qual é a diferença de mágica e magia?
Franco - Mágica é um truque, não é uma coisa fora do normal. Tudo tem um truque, alguma coisa escondida que faz o efeito. E é preciso ter habilidade com as mãos e concentração para isso.
JC - Há técnicas específicas para aperfeiçoar essas qualidades?
Franco - Tenho que treinar bastante. Quando ensaio as mágicas, minha mãe e meu pai são o público. Depois que apresento eles comentam. Se eu faço alguma coisa diferente, eles falam para eu fazê-la um pouco melhor. Tenho que ensaiar sempre.
JC - Você cria seus próprios números?
Franco - Não. Tem a mágica pronta, mas sempre uso minha criatividade em cima dessa mágica.
JC - Há traços de sua personalidade, coisas que você gosta por exemplo, em suas mágicas? Fale sobre algumas delas.
Franco - Gosto da mágica da neve, que eu fiz para meu irmão. Ela vem de uma história minha: eu tenho o sonho de conhecer e sentir a neve. Um dia perguntei a meu avô como é a neve. E ele disse para mim que bastava pegar um papel branco, picar e assoprar que os papéis iam cair. A neve era assim. Mas eu fiquei decepcionado de ver que era só isso. Aí meu avô disse: “Lucas, a neve é úmida e você tem que usar sua imaginação”. Aí eu peguei um copo com água, coloquei o papel e misturei. Quando retirei o papel e o copo d’água, a neve começou a sair, como se fosse uma chuva. Conto essa história nos shows e falo para o público que essa história é real porque um dia, na escola, um amigo disse que iria ganhar um irmãozinho. E eu perguntei como era sentir essa alegria. E ele disse: “Lucas, é como ver a neve: é só você pegar papel, picar e assoprar”. E a água representa as lágrimas e emoções que tive quando minha mãe contou que estava grávida. Eu fiquei muito alegre.
JC - Seus pais contaram que desde pequeno você era extrovertido e adorava se comunicar com as pessoas. Isso influenciou no trabalho de mágico?
Franco - Sim. Aos 3 anos eu entrava em uma cabana, na Toca do Gugu, e quando chegava alguma visita pegava meus fantoches e apresentava meus teatrinhos.
JC - Então, o lado artístico sempre faz parte sua vida. Você também é ator?
Franco -Fiz teatro durante dois anos no colégio e esse ano vou entrar em um grupo de teatro. Também faço imitações.
JC - Quem você gosta de imitar?
Franco - O Jamanta (personagem interpretado pelo ator Cacá Carvalho na novela “Belíssima”) e o (cantor mirim) Gabrielzinho do Irajá.
JC - Como é o seu cotidiano? Você treina números de mágica todos os dias?
Franco - Vou na escola e brinco como outras crianças. Quando vou ter um show, vou treinando durante a semana. E no dia-a-dia, tem alguns dias que faço mágica e outros não.
JC - A mágica chega a atrapalhar seus estudos?
Franco - Não.
JC - Você é considerado um dos mágicos mais jovens do Brasil? Como lida com esse sucesso?
Franco - Às vezes nos shows, as pessoas pedem autógrafo, mas eu lido com tudo de forma normal.
JC - Por que você se encanta tanto com a mágica?
Franco - Quando estou fazendo mágica vejo alegria nas pessoas. Ninguém pisca, todo mundo fica olhando e sorrindo.
JC - É uma forma de levar momentos de alegria às pessoas?
Franco - Acho que fazendo mágica, quero que pessoas se sintam melhor naquela hora porque a mágica pára todo mundo. É uma parada de alegria para as pessoas. Eu me sinto bem fazendo isso.
JC - Durante essa carreira, tem algum show que mais lhe marcou?
Franco - Gosto de todas, mas gostei de me apresentar no Centrinho e no aniversário de 1 ano do meu irmão.
JC - Você pretende seguir a carreira de mágica?
Franco - Pretendo sempre “estar” com a mágica. A mágica é como se fosse um amigo para mim. A amizade nunca se acaba e a mágica vai estar sempre junto comigo.
JC - Qual é papel da mágica em sua vida?
Franco - Eu fui evoluindo e tenho mais contato com as pessoas. Gosto disso. Falo com as pessoas, brinco e isso me ajudou a aperfeiçoar meu trabalho.
JC - E você tem razão, afinal se comunica muito bem. Pensa em seguir essa área?
Franco - Pretendo ser apresentador de programas, lidar com as pessoas ou fazer alguma novela.
JC - Qual seu gênero musical preferido?
Franco - Gosto de música eletrônica. E também uso essas músicas nos shows de mágica.
JC - E quais são seus filmes e programas preferidos?
Franco - Adoro comédias, gosto de rir bastante. Também gosto de programas de televisão que tenham brincadeiras e desafios, mas adoro ler, de preferência livros de aventura.
JC - Quantos prêmios você ganhou?
Franco - Ganhei alguns certificados e troféus. Fiquei em primeiro lugar no concurso Nacional de Novos Talentos em São Paulo. Mas meu grande prêmio, o meu verdadeiro presente, é a mágica.