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Primeira encíclica de Bento XVI


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Com a publicação de sua primeira encíclica Deus caritas est, o papa Bento XVI mostrou ao mundo a elevada capacidade teológica, literária, filosófica, de um dos maiores intelectuais da atualidade, na abordagem de um tema bastante complexo nos dias de hoje: a questão do real significado do amor cristão. Diz o papa que “o termo ‘amor’ tornou-se hoje uma das palavras mais usadas e mesmo abusadas, à qual associamos significados completamente diferentes”. É a partir desta temática, que Bento XVI manifesta sua esperança de que seja suscitado “no mundo um renovado dinamismo de empenhamento na resposta humana ao amor divino”.

Já afirmou São Paulo, na famosa passagem de 1Cor 13, de que de tudo na vida, a caridade é o valor maior. De nada adianta ter todo conhecimento do mundo e realizar muitas coisas, se a pessoa humana não tiver a caridade. Ela é o que deve impulsionar as ações de cada pessoa humana, dar o sentido da vida, tornar-se a motivação definitiva que nos leva à verdadeira felicidade.

Uma encíclica poética, mas profunda. É um documento precioso de orientação para que possamos compreender melhor “do amor com que Deus nos cumula e que deve ser comunicado aos outros por nós”.

Bento XVI explica que “o amor torna-se cuidado do outro e pelo outro. Já não se busca a si próprio, não busca a imersão no inebriamento da felicidade; procura, ao invés, o bem do amado: torna-se renúncia, está disposto ao sacrifício, antes procura-o”. E mais: “O amor compreende a totalidade da existência em toda a sua dimensão, inclusive a temporal. Nem poderia ser de outro modo, porque a sua promessa visa o definitivo: o amor visa à eternidade. Sim, o amor é ‘êxtase’; êxtase, não no sentido de um instante de inebriamento, mas como caminho, como êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus”.

O papa não analisa as diferentes concepções do amor, nas diversas culturas e épocas, nem fica só no debate filosófico e teológico, mas parte para diretrizes concretas para a afirmação da prática do amor pela Igreja, enquanto “comunidade de amor”. Ressalta a caridade como dever da Igreja, esclarece os conceitos de justiça e caridade, destacando a importância da doutrina social da Igreja; falando também sobre as múltiplas estruturas de serviço caritativo no atual contexto social, ressaltando que “a caridade não deve ser um meio em função daquilo que hoje é indicado como proselitismo. O amor é gratuito; não é realizado para alcançar outros fins”. O Sumo Pontífice chama ainda a atenção “sobre os responsáveis pela ação caritativa da Igreja, lembrando que “a Igreja, enquanto família de Deus, deve ser, hoje, como ontem, um espaço de ajuda recíproca e simultaneamente um espaço de disponibilidade para servir mesmo aqueles que, fora dela, têm necessidade de ajuda”.

Vale a pena a leitura deste belíssimo documento, que certamente muito nos ajudará a melhor refletir as questões complexas da atualidade, e que somente a inteligência brilhante de Joseh Ratzinger pode trazer a iluminação devida. Um presente não só para católicos, mas todo aquele que deseja entender e sentir o sentido da vida, como caminho para um amor verdadeiramente pleno.

O autor, Valmor Bolan, é doutor em Sociologia, reitor da Universidade Guarulhos – UNG, Vice-Presidente do CRUB - Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras e diretor geral da Faculdade Editora Nacional – FAENAC

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