Internacional

Presidente da Bolívia acusa as transnacionais de conspiração

Folhapress
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La Paz - O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou empresas multinacionais do setor energético de “conspirar” para desestabilizar seu governo. Em seu discurso mais duro desde que assumiu o cargo, em janeiro, Morales exortou os grupos que o apoiaram na eleição a ajudar a conter pressões contra o governo.

“Já há algumas conspirações por parte de algumas transnacionais. Tivemos reuniões com o alto comando militar em que fomos informados de como isso está sendo preparado”, disse Morales a membros de organizações de agricultores, segundo a imprensa boliviana. “Temos de nos mobilizar para nacionalizarmos (os hidrocarbonetos). Temos de estar organizados e convocaremos todos os setores”.

Morales não citou nenhum nome nem deu detalhes. Procurada pela reportagem, a Petrobras, que tem cerca de US$ 1,5 bilhão em investimentos na Bolívia, não quis comentar as declarações. Membros do novo governo boliviano já falaram em estatizar o setor energético diversas vezes. Mas afirmam que os contratos serão revistos no sentido de fazer do governo sócio das transnacionais, não proprietários exclusivos. Também o vice-presidente Alvaro García Linera pediu mobilização. “É preciso que nos mobilizemos contra aqueles que querem nos prejudicar, pois as empresas de petróleo, os gringos, vão nos pressionar”, disse García Linera, segundo o jornal “La Prensa”.

Morales afirmou ainda que precisa “exercer o poder”. “São coisas distintas: chegar ao governo e ter o poder. Temos o governo, mas não ganhamos o poder político”, afirmou. “Por isso temos de trabalhar com todos os setores.”

Desde que assumiu, o presidente boliviano já enfrentou três protestos populares, de plantadores de coca a agentes de segurança. Morales pediu a Washington que reveja o plano de reduzir de US$ 91 milhões para US$ 80 milhões sua assistência financeira anual para o combate às drogas. “(O corte) mostra que os EUA não estão de acordo com nosso programa de zero cocaína e zero narcotráfico”, disse Morales.

Ex-líder cocaleiro, o presidente defende o combate ao narcotráfico, mas é contra a pronta erradicação das plantações de coca, como querem os EUA, e já chegou a falar em dispensar a ajuda do país. A planta, usada para produzir cocaína, tem usos medicinais e religiosos legalizados na Bolívia.

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