Uma avaliação mal feita de um teste escolar, por exemplo, pode trazer conseqüências inimagináveis para a vida de uma pessoa. Dentro das escolas, por exemplo, quando criança é avaliada e apresenta QI considerado inadequado, começa a caminhar numa trilha de exclusão. Ela própria começa se ver como uma pessoas inadequada e acaba fazendo uma carreira de alguém que não tem competência, alerta a professora-doutora Marisa Meira.
Como psicóloga, ela acompanha casos de crianças com queixa escolar e em geral não se pergunta qual o QI ou porque ela não aprende. A pergunta, de acordo com Marisa, é que campo social produziu a queixa em relação ao aluno e como mobilizar a potencialidade de aprendizado.
Isso justamente porque falar em inteligência como algo que pode ser medido significa isolar uma dimensão da vida humana de seu contexto. Marisa cita como exemplo a aplicação de um teste para medir a coordenação motora do aluno, que em geral leva em conta as habilidades escolares - postura, manejo correto do lápis... “Uma criança considerada com coordenação motora inadequada na escola faz pipa como ninguém, por exemplo. São expressões diferentes do mesmo potencial, que é a coordenação. Mas o teste escolhe a expressão que ele quer, que é pegar no lápis. E pouco importa se ela se dá bem em outros campos da coordenação motora. Portanto, a avaliação é arbitrária. Eu escolho. E os pais precisam estar sempre atentos a isso”, alerta.
Para Marisa Meira, nós devemos acreditar que todas as pessoas são capazes de aprender e é preciso ter claro que isso não acontece na mesma hora nem no mesmo ritmo nem entre irmãos. “Cada um tem suas capacidades, que não têm hierarquia. E é preciso garantir que as pessoas consigam se desenvolver nas suas possibilidades, não que sejam iguais.”
Marisa faz um alerta aos pais que se preocupam com resultados de testes de QI aplicados aleatoriamente em escolas: “Questionem os objetivos, solicitem explicações. E se não concordarem, não permitam.”