São Paulo - O nível de emprego da indústria de transformação do Estado de São Paulo ficou praticamente estável em janeiro e registrou o pior resultado para o mês desde 2000, início da série histórica. Dados divulgados ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostram que foram gerados no mês passado apenas 623 novos postos de trabalho no setor, o equivalente a um leve aumento de 0,03% no total de vagas sem considerar o ajuste sazonal.
Em janeiro do ano passado, por exemplo, o indicador de emprego sem ajuste sazonal havia apontado crescimento de 0,31%. Com ajuste sazonal (que elimina as características específicas de cada período), houve uma retração de 0,10% no nível de emprego da indústria paulista. Dos 47 setores pesquisados pela Fiesp, 21 aumentaram o total de vagas na indústria no mês passado, 19 mais demitiram do que contrataram e sete apresentaram estabilidade.
O melhor desempenho em janeiro foi verificado no segmento de artefatos de papel, papelão e cortiça, com expansão de 3,79% no número de postos. Calçados de Franca, cujas exportações têm sido prejudicadas pela desvalorização do dólar, foi o setor que mais demitiu, com redução de 11,39% no total de vagas.
A pesquisa da Fiesp considera os dados de 47 sindicatos patronais. Com base nos dados, a Fiesp avalia as participações setoriais e por porte das empresas no resultado da pesquisa de emprego industrial.
O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) também faz o levantamento do nível de emprego no setor, mas com dados de 1.860 indústrias paulistas, que empregam 661 mil trabalhadores e representam 95% da mão-de-obra do setor no Estado.
Ciesp
O emprego na indústria de transformação paulista iniciou o ano em leve alta de 0,12%. Em janeiro, a indústria criou 2.280 postos de trabalho, segundo o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo.
O resultado corresponde a cerca de um terço do número de vagas criadas no mesmo mês do ano passado. Trata-se do pior desempenho para um mês de janeiro desde 2002, quando foram cortados 7.435 postos de trabalho.
Para o economista-chefe do Ciesp, Carlos Cavalcanti, o desempenho de janeiro foi tão pequeno que não chegou a alterar a tendência de queda apontada na média dos últimos 12 meses do ano. “Do ponto de vista do emprego, o ano de 2006 começa mal”, afirma Boris Tabacof, diretor do departamento de economia do Ciesp.
Ao comentar as expectativas para o ano, Tabacof afirma que o nível de emprego depende da alteração da política econômica. “Existe uma tríade sinistra: juros, câmbio, e gastos públicos, que é contracionista.” Ele afirma que o ano eleitoral pode embolar ainda mais a economia. “Não sabemos até que ponto decisões políticas podem ser preponderantes sobre decisões técnicas.”
O emprego no mês passado foi “puxado” pelas contratações em Rio Claro, onde foi registrado um crescimento de 4,22%. Segundo o Ciesp, as indústrias de produtos alimentares e máquinas e equipamentos foram as que mais contrataram. Já os piores resultados do Estado ficaram com Matão, Araçatuba e Jaú.
O emprego na Capital ficou perto da estabilidade, com avanço quase imperceptível de 0,03%. A Grande São Paulo registrou variação negativa de 0,17%.