Ser

Anjos de preto

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Emos. Este é o nome de um novo grupo de adolescentes que divide espaço com as tribos urbanas. Talvez você nunca tenham ouvido falar neles, mas o visual logo os identificam.

Traduzindo o próprio comportamento - que nessa fase pode oscilar entre a infância e rebeldia - os emos misturam roupas pretas com estampas de desenho animado, botas punk, tênis rosa e colar de bolas.

Pintam os olhos e usam franjas compridas, a marca registrada do grupo, incluindo os meninos. Têm entre 11 e 18 anos. Costumam andar em grupo e estão cada vez mais presentes nas Capitais e, apesar de mais timidamente, também nas cidades do Interior.

Como o próprio nome sugere, emos é uma abreviatura de emotional hardcore, vertente musical do punk que mescla som pesado com letras melódicas e sentimentais, em especial as que falam de amor. “É uma mistura de hardcore, punk e gótico”, define a estudante Emily Ingrid Corrêa Leite, 16 anos, emo desde 2005.

Entre os principais grupos do gênero, se destacam Simple Plan, My Chemical Romance, Dance of Days, Good Charlotte e Evanescence. No Brasil, uma delas é a banda gaúcha Fresno e a Hateen, que se apresentou recentemente em Bauru.

Mas não é somente a aparência e o estilo musical que caracterizam a tribo. Para ser um verdadeiro integrante do grupo, é preciso adotar as atitudes e o comportamento emo. Isso significa não ter vergonha de demonstrar emoções, ser tolerante com outros grupos sociais e ter muita personalidade, aponta a estudante Dandara Tierra Borges, 13 anos, também adepta à tribo.

“Há pessoas que olham um emo na rua, acham o visual bonitinho, ouvem uma ou duas músicas e decidem virar emo, como se somente isso fosse suficiente”, observa ela, se referindo aos “posers”. A gíria faz parte de um dicionário próprio da tribo e define aqueles que não entendem a filosofia, mas se vestem como o grupo.

E o que é preciso para ser um emo? Emily responde: “Sentimento, atitude e coragem”. “E também não se pode ligar muito para o que os outros dizem”, completa Victor Luan Caciatore de Souza, 11 anos. Aluno da 5.ª série, ele é um dos únicos emos da sala.

No dia-a-dia, Victor costuma usar camiseta e bermuda preta, munhequeira e diversos anéis. O cabelo liso e com franja no rosto confere um certo ar angelical. “Passo lápis para sair. Menino e menina usam o mesmo penteado”, diz Victor.

Por ter algumas semelhanças com o look das meninas, algumas vezes os garotos são alvos de piadas maldosas, principalmente no site de relacionamentos Orkut. “Existe discriminação, mas na minha sala eu nunca senti”, conta Victor.

“Algumas pessoas falam que os meninos emos são fofos. Emo é um garoto romântico”, defende Emily. “Além disso, a maioria deles são bonitinhos”, observa.

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