Segundo Aristóteles, perfume é algo que penetra no âmago do ser. Resultado de uma alquimia perfeita, ele atua no inconsciente humano, despertando as mais diversas reações, emoções e sentimentos. Há quem diga que assim como determinadas músicas, as fragrâncias podem trazer de volta lembranças e momentos especiais. Justamente por isso, é quase impossível resistir aos seus encantos.
O fascínio pelos perfumes atravessa gerações. Na França, Luiz XV decretou o uso de fragrâncias na corte. Na década de 20, a estilista Coco Chanel criou o Chanel n.º 5 - um dos mais vendidos no mundo - inaugurando uma lista de perfumes famosos, como Shalimar, de Guerlain, Calandre (Paco Rabbane), Poison (Christian Dior) e Eternity (Calvin Klein), entre outros clássicos.
Como uma obra de arte, a criação de um perfume expressa a sensibilidade e inspiração de um perfumista, que é capaz de criar uma complexa composição de fragrâncias, explica a farmacêutica especializada em cosmetologia Andréia de Cássia Ferreira.
De acordo com ela, tecnicamente, o perfume consiste em uma mistura de essência, álcool, água e conservantes. O diferencial, porém, é que a essência é elaborada pelo perfumista, responsável por determinar quais matérias-primas serão utilizadas na produção da fragrância, bem como suas combinações e concentrações, aponta Ferreira.
“Ser perfumista exige talento. Há pessoas que conseguem armazenar mais de mil tipos diferentes de aromas”, diz Ferreira. O perfumista constrói a essência a partir de uma lista infinita de matérias-primas, o que exige anos de treinamento, aponta a farmacêutica. O Chanel n.º 5, por exemplo, associa essências de síntese ao jasmim de Grasse e um óleo extraído do pau-roxo, uma árvore da Amazônia..
Fãs
A escolha de um perfume geralmente traduz a personalidade e estilo de cada pessoa. Em geral, as notas florais são consideradas mais femininas e delicadas, as cítricas combinam com o clima quente e os homens apreciam as amadeiradas.
Mas tudo é muito individual e depende do estado de espírito, ressalta Ferreira. Essa opinião também é compartilhada pela auxiliar administrativo Simone Cristina Barbosa, 33 anos, o balconista Marcos Bononi, 39 anos, e as farmacêuticas Karina Ruiz, 30 anos, e Andréa Lyra, 29 anos – todos fãs de boas fragrâncias.
O perfume é indispensável no cotidiano de Ruiz. Segundo ela, as fragrâncias expressam seu jeito de ser e marcam fases de sua vida. “As mulheres mais novas gostam dos mais adocicados, já as adultas preferem algo marcante e sóbreo”, diz Ruiz, que escolhe a última opção para sair à noite. Durante o dia, prefere lavandas que “prolongam a sensação de banho”.
Lyra também elege aromas frescos e suaves, como cítricos e florais, durante o dia-a-dia. “À noite uso um mais marcante”. Bononi reserva os aromas mais intensos, como os amadeirados, para o inverno. No verão, opta pelos cítricos. “Isso depende muito da ocasião e do clima. Além disso o perfume está relacionado muito à questão da pele”, diz.
Barbosa concorda. Ao comprar um produto, ela fica atenta para a combinação do perfume com sua pele. “Antes de comprar, passo em mim mesma porque no papel há uma diferença no aroma. Às vezes dou uma volta e só depois levo”, diz ela, que não sai de casa sem passar perfume. “Sou muito fã e não me vejo sem ele. Quase todos os perfumes me agradam, principalmente os doces e amadeirados. Florais nem pensar.”.
Dicas
Além de combinar com a pele, é necessário atenção especial na hora de escolher um perfume, aponta Bete Nicolielo, promotora de vendas da Natura. De acordo com ela, o ideal é evitar essências mais fortes durante o dia, deixando-as para ocasiões noturnas. “Vivemos num País tropical, com sol superforte. Um perfume muito concentrado num ambiente fechado, por exemplo, pode ser desagradável e incomodar.”. Ao experimentar as fragrâncias, para não correr o risco de “misturar” os aromas, Nicolielo sugere cheirar um lenço descartável ou tecido. “O café também é válido, porém ele pode ser um agente de contaminação. O lenço é neutro e mais adequado”, diz. Além disso, passar uma gota da fragrância na pele - ao invés de senti-lo no papel – ajuda a escolher melhor o produto. Para garantir um bom efeito, a dica é aplicar o perfume em pontos estratégicos do corpo, aponta Nicolielo. “Pulso, atrás da orelha, no meio do seios, dobra do cotovelo e atrás do joelho são áreas de maior circulação e podem fazer com que a pessoa sinta melhor o aroma”, observa. (CG)
Conservação
Andréia Ferreira aponta algumas dicas para preservar os perfumes. Entre elas, usar válvulas para borrifar a fragrância e não deixá-la exposta ao sol, uma vez que o produto corre o risco de oxidação. “Para não colocar o dedo diretamente no frasco, a pessoa pode optar pela ‘caneta’ (uma espécie de pincel especial) ou borrifador”, diz.
Outro cuidado é quanto ao prazo de validade e registro do produto. “Qualquer cosmético vendido no Brasil precisa ser aprovado pelo Ministério da Saúde. Somente depois de registrado, pode ser comercializado”, alerta.