Se quisesse, a sogra de Ângela Maria Silva listaria todas as visitas recebidas pela nora. Para tanto, nem precisaria ficar na espreita. A frente da casa dela é passagem obrigatória para a de Ângela. Os dois imóveis estão situados num mesmo terreno do Jardim Vitória, que ainda abriga uma terceira residência. Mas o convívio compulsório entre sogra e noras pode estar com os dias contados.
As famílias poderão ser transferidas para a Vila Ipiranga, onde vários lotes foram declarados de utilidade pública pela prefeitura, no último sábado. “A gente vai ter que desadensar (as famílias) e regularizar tudo. Fazer a regularização fundiária”, reitera Maria Helena Rigitano, coordenadora do grupo habitação da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan).
De acordo com ela, parte da população do Jardim Vitória permanecerá no bairro, erguido sobre uma área verde, que será posteriormente substituída por outra. O local não é considerado de risco, embora os moradores reclamem de abandono. “Se saírem (as casas na Vila Ipiranga) vai dar briga. Todo mundo vai querer ir. Aqui, quando chove, a água entra dentro das casas. É um inferno”, comenta Ângela, mãe de cinco crianças.
A esperança dela é que os lotes - antes pertencentes a Luiz Carlos Pagani e agora declarados de utilidade pública - sejam destinados a programas da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). O órgão está apenas aguardando a liberação de áreas por parte da prefeitura para construir 400 casas.
“Para nós tanto faz (de quem foram os lotes). A prefeitura tem que regularizar a área e ceder para CDHU. É a contrapartida para o empreendimento. A partir daí, nós começamos a avançar com nossos projetos”, informa o diretor da CDHU em Bauru, Carlos Ladeira.
Segundo ele, outras 600 moradias serão construídas na cidade pelo programa Empreitada Global. O município já fez a doação dos terrenos do chamado programa Lotes Urbanizados para a CDHU, que se responsabilizará pela execução e recuperação da infra-estrutura. O diretor do órgão estadual informa que o processo de orçamento do projeto e levantamento topográfico já estão em andamento.
Já os lotes da Vila Ipiranga ainda não foram destinados à CDHU, medida que pode ser executada ainda neste ano. A área total dos terrenos não foi informada por Rigitano, que não dispunha da informação no momento da entrevista.