Os pais de Andressa Gabriela Castilho, 8 anos, contam os dias para que a filha seja operada. Embora conheçam os riscos de qualquer cirurgia, temem que a criança continue com fragmentos de chumbo no corpo. Há uma semana, a menina foi atingida nos pés por um disparo de arma de fogo calibre 28, após esbarrar numa armadilha para pegar ladrão, na casa de um conhecido da família.
De acordo com Reinaldo Rocha, superintendente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que mantém o Hospital de Base, a garota só não foi operada ainda em respeito à conduta médica. “Se o procedimento fosse feito de imediato, haveria ainda mais risco de infecção. A conduta médica é administrar antibióticos para depois fazer a cirurgia”, explica.
Nesta semana, Andressa teve febre e o antibiótico inicialmente ministrado foi substituído por outro. Na próxima terça-feira, ela passará por retorno e a cirurgia deve ser agendada. Mas Rocha não descarta a necessidade de mais de uma operação. De acordo com ele, os chumbos que estão alojados intra-ósseo provavelmente não serão retirados.
“O risco é maior ao retirá-los do que ao deixá-los. Ela deve passar pelas cirurgias e depois será acompanhada no ambulatório de ortopedia até a solução do problema”, completa o superintendente. A permanência de partículas de chumbo, no entanto, nem sempre é sinônimo de problemas.
Segundo a coordenadora do grupo de estudo e pesquisa de intoxicação por chumbo em crianças de Bauru, Niúra Padula, geralmente o processo inflamatório isola o chumbo dentro do organismo. “Mas cada caso é um caso. Se ela apresentar sintomas (de saturnismo – intoxicação por chumbo) terá de ser avaliada”, explica.
O problema pode ser identificado em casos de alteração gastrointestinal, como náusea, vômito e dores abdominais, crises epilépticas, hiperatividade e agressividade e dor de cabeça. Diante dessas circunstâncias, a família de Andressa terá de procurar o sistema de saúde do município. Por enquanto, a criança sente muitas dores nos pés.
“Ela precisa ser carregada para tudo. Para ir ao hospital, vou para o ponto de ônibus com ela de cavalinho (sobre o pescoço dele)”, conta o pai André Luís Castilho. O vendedor conta que ele deixou de ir ao trabalho para ajudar a esposa no trato com a filha.