Cultura

Carnaval fora de época agrada freqüentadores da feira livre do Centro

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Passistas, bateria e bonecos feitos de papel machê fizeram a alegria dos freqüentadores da feira da rua Gustavo Maciel, ontem em Bauru. O rápido desfile de Carnaval, apresentado por cerca de 20 pessoas com idades entre 4 e 30 anos, é resultado de várias oficinas pedagógicas realizadas na cidade de Espírito Santo do Turvo (65 quilômetros de Bauru) com a intenção de inclusão social. O Carnaval fora de época agradou a maioria.

O desfile ocorreu por volta das 11h30, com a presença da prefeita de Espírito Santo do Turvo, Luciana Maria Retz. “Dentre os integrantes da mini-escola de samba estão pessoas que moravam na rua, que estão tentando se livrar do alcoolismo ou das drogas. É um trabalho social que vem apresentando ótimos resultados”, explicou.

Segundo a prefeita, o projeto uniu várias oficinas e montou uma equipe para o Carnaval. “Aqui eles encerram as festividades do Carnaval. A partir da semana que vem iniciam novo trabalho. Viemos para Bauru porque fomos convidados pela Secretaria da Cultura e por alguns professores da Unesp (Universidade Estadual Paulista)”, frisa.

Para o ‘mestre da bateria’ Daniel Pereira, a apresentação de ontem foi mais uma oportunidade de mostrar o trabalho desenvolvido em Espírito Santo do Turvo. “Quando eu estudava em Bauru, a galera sempre vinha fazer batucada aqui. Resolvemos repetir a dose fazendo um Carnaval fora de época”, afirma.

Pereira ressalta que o “desfile” na feira da rua Gustavo Maciel foi uma oportunidade para os integrantes das oficinas mostrarem suas potencialidades. “Eles não têm muita chance de sair para tocar. Os bonecos foram usados no Carnaval de lá (Espírito Santo do Turvo). Nós estamos tentando criar uma tradição de Carnaval de rua lá. A intenção é tocar e instigar as pessoas a acompanharem”, frisa.

Ele lembra que no sábado de Carnaval a ‘escola de samba’ apresentou-se na praça central de Espírito Santo do Turvo. “Muita gente apreciou o trabalho. No domingo de Carnaval, a gente percorreu todas as ruas de Espírito Santo do Turvo. Os moradores aderiram”, frisa, entusiasmado.

Para o futuro, o ‘mestre da bateria’ pretende formar bandas de outros gêneros. “Esse pessoal faz aula de percussão, violão e canto. Eu estou trabalhando lá com formação de bandas. Vou tentar montar uma banda de choro, de MPB, rock, pagode, reunir o pessoal que está dando aula separado. Esse trabalho envolve pesquisa de som. É um projeto cultural do governo federal através da prefeitura”, projeta.

Carnavalesco

Os bonecos de papel machê, espuma e tecido chamaram a atenção dos clientes de feira livre da Gustavo Maciel. Eles foram construídos pelas crianças sob a orientação do professor Sérgio Segal. “Os bonecos representam figuras da cidade”, conta. “Tem o boneco do primeiro prefeito da cidade, outro do Lula estilizado, do Bigode e da Boca Torta, que são figuras conhecidas em Espírito Santo do Turvo”, completa. Na opinião dele, a feira é um espaço próprio para este tipo de manifestação popular. “O pessoal adorou”, finaliza.

O outro lado

Se para a maioria dos freqüentadores da feira livre a presença da mini-escola de samba agradou, para alguns feirantes foi motivo de preocupação, ressaltou o fiscal do município, Fábio Yukio Taquita. “Eles atrapalharam o fluxo de pessoas. Alguns feirantes reclamaram. Eles não podem parar num lugar porque as pessoas se aglomeram e atrapalham o comércio da feira”, ressaltou.

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