Jaú - Às vésperas do início de mais uma safra, cerca de 200 trabalhadores rurais foram demitidos pelo Grupo Atalla, de Jaú (47 quilômetros de Bauru). Entre os dispensados estão lavradores de Mineiros do Tietê, Igaraçu do Tietê, Itapuí, distrito de Potunduva e também de Jaú.
As demissões, segundo a Federação dos Empregados Rurais Assalariados (Feraesp), começaram no dia 8 de fevereiro. Na ocasião, foram demitidos dez trabalhadores do distrito de Potunduva, oito de Mineiros do Tietê e 15 trabalhadores de Igaraçu.
Segundo a Feraesp, há alguns dias foram feitas novas dispensas. Desta vez, foram incluídos na lista trabalhadores de Jaú e Itapuí, além de um novo grupo de lavradores de Igaraçu e Mineiros.
A reportagem não conseguiu localizar nenhum dirigente do Grupo Atalla no fim da tarde de ontem para comentar as demissões. Na avaliação da Feraesp, a atitude da empresa tem “cheiro de retaliação”.
Segundo a entidade, “coincidentemente”, as dispensas atingiram principalmente os trabalhadores que elaboraram um abaixo-assinado para que a Feraesp os representassem nas negociações. Segundo esses trabalhadores, eles estariam insatisfeitos com o sindicato da categoria de Jaú. O pedido de ajuda não foi bem aceito pelo sindicato e nem pela empresa, segundo a Feraesp.
Em dezembro e janeiro, os lavradores do Grupo Atalla paralisaram o serviço em pelo menos duas ocasiões para protestar contra o atraso nos salários. O representante regional da Feraesp, Eduardo Porfírio, chegou a protocolar no Ministério Público uma representação contra a empresa, pedindo que fossem investigados supostos desrespeitos aos direitos fundamentais dos empregados.
Segundo a assessoria da Feraesp, os salários deste ano também atrasaram. O de janeiro, que era para ter sido pago no dia 6 de fevereiro, só saiu no dia 10. E o pagamento de fevereiro, que era para ter sido feito até o dia 5 deste mês, não havia sido pago até ontem.
Nos últimos meses, os trabalhadores adotaram a tática de paralisar o serviço até que o salário seja pago. O representante do sindicato rural de Jaú também não foi localizado no fim da tarde de ontem para comentar as demissões.