Internacional

Impasse atrasa novo governo no Iraque; EUA admitem que invasão piorou caos

Folhapress
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Bagdá - O sistema político iraquiano caminhava ontem para o colapso, com a forte possibilidade de a maioria árabe-xiita boicotar a primeira sessão do Parlamento - um passo crucial para formar um novo gabinete - e a promessa das minorias árabe-sunita e curda de boicotar um governo encabeçado pelo atual premiê, Ibrahim al Jaafari, indicado pelo bloco xiita para continuar no cargo. O embaixador dos EUA, Zalmay Khalilzad, se reuniu com um dos principais líderes xiitas do país, Abdul-Aziz al Hakim, para discutir a saída da crise.

O vácuo de poder, crê Khalilzad, está alimentando a violência no país. O presidente Jalal Talabani, que é curdo, havia dito a Al Hakim que seu bloco não apoiaria Al Jaafari. Na noite de anteontem, representantes do bloco curdo e da Aliança Xiita por um Iraque Unido se reuniram, mas não conseguiram chegar a uma solução para o impasse.

Em meio à crise, ataques a bombas, morteiros e tiros deixaram ontem pelo menos 19 mortos pelo país, dando continuidade à espiral de violência etno-religiosa que envolveu o Iraque desde o atentado contra a Mesquita Dourada no último dia 22. O templo, em Samarra, é um dos mais importantes para os xiitas, e sua destruição detonou uma onda de ataques e contra-ataques que deixou ao menos 500 mortos.

Também ontem, a TV por satélite árabe Al Jazira, de Dubai, levou ao ar novas imagens de três missionários cristãos seqüestrados há três meses no Iraque. O vídeo, datado do último dia 28, mostra o britânico Norman Kember, 74 anos, e os canadenses James Loney, 41 anos, e Harmeet Singh Sooden, 32 anos. O americano Tom Fox, 54 anos, seqüestrado com os demais, não aparece. Nenhuma informação foi dada a seu respeito. Em comunicado, o grupo Brigadas das Espadas dos Justos disse que matará os reféns se todos os prisioneiros iraquianos não forem soltos, mas não impôs prazo.

Autoridades americanas admitiram ontem pela primeira vez desde a invasão do Iraque, há quase três anos, que o país está sob risco de guerra civil e que derrubar o ditador Saddam Hussein abriu uma “caixa de Pandora”. “Abrimos a caixa de Pandora, e a questão agora é como sair dessa”, disse o embaixador Khalilzad, em uma entrevista publicada ontem pelo jornal “Los Angeles Times”.

Khalilzad, que descende de afegãos, advertiu que, caso se concretize o cenário negativo, os extremistas religiosos podem tomar o controle de partes do país. “Isso faria o Afeganistão do Taleban parecer brincadeira de criança.”

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