Política

CPI levantará dados de testemunha contra Bauruense e Suplicy aciona PF

Por Nélson Gonçalves | Com Adriana Leite, do jornal Correio Popular de Campinas,
| Tempo de leitura: 4 min

A testemunha apresentada em matéria do Jornal da Band, anteontem, que acusou o superintendente da empresa Bauruense Serviços Gerais, Ramiro Ferreira Júnior, de ser o mandante do assassinato do ex-prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, provocou ontem um pedido de informações do senador Eduardo Suplicy (PT) sobre o caso.

O jornal Correio Popular, de Campinas, revela que o senador petista, membro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, vai solicitar ao Ministério Público Estadual (MPE) informações sobre o depoimento dessa nova testemunha (nome mantido em sigilo), que teria apontado dois diretores da empresa Bauruense, do empresário Airton Daré e que integra o Consórcio Ecocamp, como mandantes do assassinato do ex-prefeito de Campinas.

Toninho do PT foi morto em 10 de setembro de 2001 e o inquérito policial havia concluído que a quadrilha do seqüestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, teria sido a responsável pelo crime. Mas a nova testemunha, que já teria trabalhado em cargo importante da Bauruense, levada à Promotoria na semana passada pelo jornalista da TV Bandeirantes Roberto Cabrini, declarou ao promotor Fernando Viana que presenciou uma conserva dos diretores da empresa Ramires Ferreira Júnior e Clóvis Franco, quando teria sido revelado um plano para “dar baixa” no ex-prefeito Toninho.

Suplicy encaminhou para o presidente da CPI dos Bingos, Efraim Morais, reportagens sobre as novas denúncias. “Vou buscar informações no Ministério Público para depois definir com o presidente o caminho que a CPI irá seguir”, disse o senador ao Correio Popular. Ele destacou que a comissão vem coletando depoimentos sobre o caso e a Polícia Federal (PF) também investiga a morte do ex-prefeito.

O senador petista também comentou que iria entrar em contato com o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, para saber sobre o processo. “Vou procurá-lo para saber sobre os passos da investigação”, comentou. Até o início da noite de ontem, ele ainda não havia conversado com o diretor.

A viúva de Toninho, Roseana Moraes Garcia, comentou ontem que tudo o que foi relatado pelo ex-funcionário deve ser investigado. “Apesar de não ter provas no tocante ao assassinato de Antonio, o depoimento da testemunha traz detalhes sobre propinas que aconteciam no Poder Público e que podem ser comprovadas com documentos”, comentou.

Segundo a viúva, o homem também citou a negociação feita por Toninho para reduzir os gastos com a limpeza pública e coleta de lixo em Campinas, tendo obtido valor 40% abaixo do contrato original do lixo em 2001. O custo caiu de R$ 133,6 milhões para R$ 93,5 milhões, para o período de 2001 a 2004.

Bauruense responde

A Bauruense Tecnologia e Serviços divulgou nota oficial onde se mostra “surpresa e indignada com a denúncia divulgada pela TV Bandeirantes, do dia 06 de março, envolvendo a empresa e seu diretor superintendente, Ramiro Ferreira Júnior, no assassinato do prefeito de Campinas, Toninho do PT, em setembro de 2001”.

A direção da empresa esclarece estar à disposição da Justiça e demais órgãos de investigação para qualquer esclarecimento, tendo se colocado à disposição do Ministério Público”.

O consórcio Ecocamp já havia divulgado nota em que refutava as acusações conta os diretores da Bauruense. Já a ex-prefeita de Campinas (SP) Izalene Tiene havia informado que a redução dos valores pagos pela prefeitura se deu apenas pela diminuição no volume de serviços que deixaram de ser realizados em 2001 - coleta seletiva, varrição e limpeza de feiras públicas -, cujas tarefas eram realizadas por trabalhadores temporários. “Esses serviços foram transferidos em 2002 à Ecocamp. Até 2004, quando expirou, o contrato sofreu três reajustes, que já estavam previstos quando de sua assinatura”, informa no texto.O ex-prefeito Francisco Amaral (então no PPB e hoje no PMDB) afirmou que teria sido obrigado a fazer contrato emergencial com o consórcio. Chico destacou ainda que a Promotoria analisou a documentação e verificou que não teve supervalorização no contrato.

“Na planície de meus 83 anos de idade, ainda passo por momentos como esse, apenas porque tentei ajudar minha cidade e seu povo, meus irmãos. Em minha última gestão, agindo sob a pressão das empresas responsáveis pela coleta, remoção e destinação final do lixo, as empresas que paralisaram suas atividades, me obrigaram a fazer um contrato emergencial. A situação financeira da Prefeitura era crítica e evidentemente os pagamentos estavam em atraso. Abri uma nova concorrência que, através de diversos recursos impetrados por várias empresas, acabou sendo inviabilizado. Apelei para os contratos emergenciais que duraram alguns anos, até o final da concorrência em que a Ecocamp saiu vitoriosa”, comenta Amaral, através de nota enviada à TV.

Comentários

Comentários