A diferença do preço dos combustíveis nos postos de Bauru é grande. Pesquisa feita pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), no início do mês e divulgada ontem, revela a existência de estabelecimentos comercializando o litro do álcool entre R$ 1,570 e R$ 1,999, uma diferença de R$ 0,42. Já a gasolina mais barata estava sendo vendida a R$ 2,279. Com um acréscimo de R$ 0,38, o litro mais caro estava cotado em R$ 2,659. A ANP pesquisou os preços praticados em 50 postos que apresentaram nota fiscal do combustível comprado. Outros 34 não apresentaram comprovante.
A diferença de preço é sentida no bolso. Ao encher o tanque de um carro com gasolina com capacidade para 50 litros, o consumidor pagará R$ 132,95, caso opte pelo combustível mais caro. Se resolver encher o tanque com a gasolina mais barata, o valor desembolsado será R$ 113,95. Com a diferença entre os dois valores, R$ 19,00, ele poderia comprar oito litros do combustível mais em conta. No caso dos carros a álcool, a oscilação é ainda maior. Para encher o tanque de 50 litros, o motorista paga R$ 99,95 com o álcool mais caro e R$ 78,50 com o mais em conta. A diferença de R$ 21,45 possibilita a compra de 13 litros do combustível mais barato.
Com o preço da gasolina fixado em R$ 2,39 o litro, um estabelecimento do Jardim Bela Vista tem atraído motoristas de vários bairros da cidade. Na tarde de ontem, carros, motos e caminhonetes faziam fila para abastecer, aproveitando o valor abaixo da média da cidade, que segundo a ANP é R$ 2,44. Francisco Medeiros, gerente do posto, conta que vender gasolina com um preço tão reduzido é estratégia da empresa. “A central compra combustível em grandes quantidades, direto com a Esso e eles nos repassam. Além disso, só pagamos à vista, o que dá para negociar ainda mais”, explica.
O comerciante Dirceu Antônio Charles aguardava a sua vez na fila para encher o tanque da caminhonete. “Meu veículo é movido a diesel. Fiz pesquisa e aqui é o mais barato. Eu já abastecia aqui antes e a qualidade sempre foi muito boa”, conta. Já Jorge Tanamashi não pesquisou os preços dos postos antes de procurar o posto. “Abasteço aqui porque é meu caminho, mas os preços estão muito bons, mesmo”, diz. O estudante João Hiroshi mora no Núcleo Edson Gasparini e aproveitou que estava indo levar seu animal de estimação a uma clínica veterinária na região, e abasteceu. “Minha tia me avisou que tinha um posto vendendo gasolina num preço muito bom aqui e aproveitei”, revela.
Sérgio Luiz Ferreira, diretor comercial de uma distribuidora de combustível de Bauru, aponta que comprar o produto em grande quantidade não é garantia de preço baixo. “Para conseguir vender nesse preço, o posto não oferece serviços. Não olha a frente do carro, não lava o pára-brisa, não calibra pneu. É só venda de combustível e somente em dinheiro”, aponta.
Para o economista Fernando Pinho, os postos de combustível estão oferecendo vários serviços, então podem reduzir a margem de lucro nas bombas e ganhar na venda de produtos. “Ele recupera o desconto nas bombas com a venda de óleos lubrificantes, aditivos e com a loja de conveniência”, calcula o economista. Para fugir dos preços altos, sem se submeter a combustíveis de baixa qualidade, Pinho aconselha os motoristas a testarem os postos. “Escolha dois ou três estabelecimentos e abasteça. Vá prestando atenção no rendimento do veículo e depois faça a escolha”, explica.
Outro conselho do economista é para o consumidor se atentar às bandeiras dos estabelecimentos. “Abasteça em locais controlados. Geralmente as próprias companhias investem nos testes de qualidade e divulgam isso”, diz.
____________________
Combustível caro
Na região, os combustíveis de Bauru estão entre os mais caros, atrás apenas de Santa Cruz do Rio Pardo. Com esse preço, a cidade vizinha é a líder no Estado. A gasolina mais barata é a comercializada em Várzea Paulista, na região de Jundiaí. Para quem abastece com álcool, Jacareí e a Capital possuem os preços mais elevados de São Paulo.
O litro nessas cidades é vendido a R$ 2,14. Já os moradores de Araras encontram o álcool mais barato. O preço máximo nas bombas da cidade, que é sede de uma das maiores usinas de cana- de-açúcar do Estado, é R$ 1,599.