Sakhir - Mesmo habituada a constantes mudanças de regras, a F-1 só hoje começa a assimilar o baque do maior pacote de novidades dos últimos anos. A maior foi a troca dos motores V10 de 3 litros por unidades de oito cilindros e capacidade de 2,4 litros.
A intenção da FIA era baixar custos e reduzir a velocidade dos carros. Não conseguiu uma coisa nem outra. Para afinar os motores, os times rodaram 170 mil quilômetros na pré-temporada, contra 107 mil quilômetros em 2005. Na semana passada, o V8 da Honda bateu o recorde de Valência, de um V10.
Esse é um dos desafios que Fernando Alonso terá na luta pelo bi. Levantamento da “F1 Racing” indicou que o V8 da Renault é um dos propulsores mais fracos, com 720 cavalos, 20 a menos que os mais potentes, os Cosworth, da Williams.
Alonso terá ainda que superar outros desafios alheios à sua ação na pista. Como a ameaça de fechamento do projeto de F-1 da Renault, que pode atrapalhar 2006. Como a ascensão da Honda. Como a volta das trocas de pneus nos pits, que deve favorecer a Bridgestone - seu time usa pneus Michelin. Como o novo sistema de treino oficial, um desafio para os estrategistas.
Alonso inicia hoje o 57º Mundial da F-1 com uma sensação diferente, que nunca havia experimentado: a de ser o campeão, o principal alvo das atenções. E carregando nas costas uma cobrança incessante. Conseguirá se firmar entre os grandes?
Em Sakhir, no Bahrein, o espanhol passa hoje a ocupar um posto que nos últimos cinco anos foi do alemão Michael Schumacher. Passa a conhecer também uma certa condição de onipresença. Seu rosto está estampado em bandeirolas penduradas em postes pelos 30 km que separam Sakhir da capital do Bahrein, Manama. Está em cartazes pela cidade. Uma enorme foto de seu Renault cobre os vidros do maior arranha-céu do país.
“Para mim, o que muda é minha maneira de encarar o começo do campeonato. Antes, eu chegava para a primeira corrida pensando em lutar por pontos, por alguns pódios, coisa do gênero. Agora sinto mais confiança em mim mesmo e vou correr para chegar ao fim do ano com outro título”, disse Alonso, respondendo à pergunta mais freqüente que lhe é feita, sobre como ficou sua vida após o título mundial.