Polícia

Sete fetos são achados no aterro sanitário

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Uma sacola de lixo hospitalar inesperadamente rompida deixou cair um feto aos pés do coletor Adinilson Pereira da Silva. Assustado, ele e alguns colegas da Emdurb encontraram outros seis. Todos seriam descartados numa vala especial do aterro sanitário de Bauru, que recebe dejetos de clínicas e hospitais da cidade.

´ Acondicionados em duas sacolas, os fetos estavam acompanhados por partes de órgãos humanos como músculo, pedaços de estômago e peças de ossos. Embora cada qual tivesse um tamanho, sendo o mais pesado com 480 gramas, todos os fetos apresentavam pequeno corte na região torácica e abdominal.

De acordo com a avaliação preliminar realizada no local pela polícia, respaldada pelo forte odor de formol e pelo exame realizado pelo Instituto Médico Legal (IML), eles deixaram o útero há um bom tempo. Alguns pareciam estar identificados. Numa etiqueta presa ao cordão umbilical de num deles era possível ler com facilidade o nome de uma mulher.

Também foi possível apurar a clínica, de onde o material teria sido recolhido. Como ela não figura nem como averiguada no boletim de ocorrência registrado como localização de fetos e órgãos humanos, seu nome será preservado. “Passamos lá (para fazer coleta de lixo) hoje à tarde. Pegamos cinco sacos. Nunca me aconteceu isso em 14 anos de profissão”, conta Silva.

Quando ele se deparou com o feto, chamou o motorista, depois o supervisor da coleta especial, as Polícias Militar e a Civil. O caso será remetido e investigado pelo 1º Distrito Policial, informa o delegado Eduardo Sganzela, que esteve no local e registrou a ocorrência no plantão. Apesar de chocante, preliminarmente, o descarte seria normal, já que Bauru não dispõe de meios para incinerar o material.

Sem consenso

O assunto, no entanto, é controverso. De acordo com o supervisor da coleta especial da Emdurb, Nivaldo Aparecido Rio Peres, o lixo hospitalar recolhido pela Emdurb deve ser compreendido por seringas e agulhas (protegidas), luvas, gases, curativos, sondas e drenos, por exemplo.

“Quando um braço é amputado, tem de ser sepultado. Tem de ser outro procedimento (para acondicionar os fetos). Orientamos as clínicas. O lixo hospitalar é responsabilidade delas”, reitera. Ele explica que todas as iniciativas adotadas por ele ontem à tarde foram orientadas pela Vigilância Sanitária.

Nivaldo ainda informa que a vala onde este tipo de lixo é acondicionado é impermeabilizado com asfalto. Depois que os sacos de cor branca leitosa (com gramatura específica) são remetidos para lá, são cobertos com cal virgem e aterrados. “Quando está completo, com capacidade total, abrimos um outro local. Isso acontece a cada 40 dias”, conclui Peres.

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Aborto

Há cerca de 15 dias, um feto de aproximadamente quatro meses foi encontrado na rua São Sebastião, às margens da estrada de acesso à Val de Palmas, próximo à rodovia Bauru-Marília. Do sexo masculino, ele estava dentro de uma caixa de sapatos forrada com alguns pedaços de pano. Patrícia Helena de Souza Ataliba, 26 anos, foi presa em flagrante acusada por crime de aborto.

No entanto, pagou a fiança de R$ 600,00 e responderá o processo em liberdade. Ela ingeriu um remédio abortivo e expeliu o feto, que foi colocado na caixa. O crime foi descoberto quando uma pessoa avisou a Polícia Militar que havia um feto embaixo da cama da acusada.

No local, a PM não encontrou nada, mas Patrícia levou o policial até onde ele havia sido abandonado. O caso também está sendo investigado pelo 1º Distrito Policial, que apura se houve a participação de mais pessoas na consumação do crime.

Da Redação

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