PREOCUPAÇÃO OU EXIGÊNCIA?
Muitos torcedores e alguns colegas de crônica esportiva estão preocupados com o Noroeste. Segundo eles, o time vem caindo de rendimento desde aquela derrota de 4 a 1 para o 15 de Novembro. O lance é que foi criada uma expectativa de que o Norusca poderia ser campeão estadual. Naquela goleada, Paulo Comelli lançou muitos reservas; mas se escalasse a força máxima e algum titular tivesse se contundido, o treinador seria criticado por não mandar a campo um time misto. Menos de 72 horas depois daquela goleada no extremo Sul, o Noroeste perdeu para o Palmeiras (3 a 1), num jogo atípico. Além do cansaço por conta da maratona, os alvirrubros foram superiores tecnicamente aos alviverdes, que jogando um futebol sem empolgar, foram cautelosos e usaram os contra-ataques para os seus três gols. Alguns noroestinos souberam da notícia (sempre acaba vazando) no intervalo, da morte do Celso e ficaram abalados. Achei normal a derrota para o Rio Branco, que atuando em Americana, não iria perder por decreto nenhum. Quem canta de galo é o time da casa e o Noroeste não é nenhum invencível. Contra o Guarani, o Norusca não fez um partidão, teve dificuldades, mas mereceu vencer o Bugre, que está com a corda no pescoço. Tenho mais medo de enfrentar um lanterna do que um líder. Na sequência, uma gripe me impediu de ver o jogo de volta pela Copa do Brasil. Mas segundo colegas das rádios, o Noroeste não jogou bem e venceu com dois gol de bolas paradas. Só que o 15 gaúcho tinha uma vantagem considerável. Aliás, eu havia afirmado que mesmo completo, o Norusca não venceria em Campo Bom. Se o time caiu ou não de rendimento, melhor é dar um crédito de confiança, pelo esperar os dois próximos jogos, contra São Bento e São Paulo, para se ter uma opinião mais consistente.
NOITE DE CÃO
A noite de quinta-feira foi ruim demais para Antônio Lopes. Além da derrota na Libertadores, que é o sonho de consumo do Corinthians, o treinador montou um esquema tático totalmente furado e perdeu seu principal jogador, Tevez, lesionado. A vitória do Tigres por 2 a 0, tirou o Alvinegro da zona de classificação no seu grupo e foi a primeira derrota de um clube brasileiro na Libertadores/2006. Aliás, dos quatro grandes paulistas, o Corinthians é o único que não conquistou a competição continental. Lopes está ‘pendurado’ mas com certa culpa no cartório. Afinal, ele escalou três zagueiros que nunca haviam atuado juntos. Marcelo Mattos, destaque da equipe como volante, foi improvisado na ala direita, não correspondeu e acabou sendo expulso. Lopes também foi mal nas substituições. Roger não estava lá essas coisas, mas vinha sendo o responsável pela criação das melhores jogadas do time. Carlos Alberto, seu substituto, prendeu muito a bola e pouco produziu. No clássico do fim de semana, o Timão enfrenta o São Paulo e joga as últimas fichas no Paulistão. Com seis pontos atrás do líder Santos, o time de Lopes tem mínimas chances de ser campeão, principalmente se perder amanhã.
DUELO DA CRISE
O jogo de hoje entre Portuguesa e Palmeiras, no Canindé, pode ter um desfecho mais feio do que briga de foice no escuro. A Lusa, que vem amargando a Série B do Brasileiro, está emeaçada de ser também integrante da Segunda Divisão estadual - ganhou apenas 11 pontos em 13 jogos, ocupando o penúltimo lugar do Paulistão. Se perder esta noite, precisará de um milagre para continuar no grupo de elite. O Palmeiras também está em crise, embora sua situação não seja de desespero como a equipe rubro-verde. Afinal, o Alviverde tem 26 pontos, cinco atrás do líder Santos e divide a segunda colocação com o São Paulo. O que está pegando é a irregulariade - e os vexames. O último deles foi quarta-feira, quando foi goleado em pleno Palestra pelo mediano América. As derrotas para Santos e América fez a turma do amendoim - ou o reino dos corneteiros - esquentar. Leão já avisou: deixa o Palmeiras se o time - limitado, como afirmei após o jogo contra o Noroeste - perder para a Portuguesa. Para piorar o clima, Paulo Baier e Juninho não jogam hoje.
MEMÓRIA
Campeonato Paulista de 1993: Noroeste 0 x 4 Mogi Mirim, em Bauru, gols de Rivaldo (2), Leto e Válber. Árbitro: Silas Santana. Público pagante: 2.737. Noroeste: Ronaldo (Pinhata); Chiquinho, Campagnollo, Monteiro e Clodoaldo; Evandro (Charles), Luís Cláudio e Nido; Jacksen, Marcos Roberto e Marquinhos Yamamoto. Técnico: Arthur Neto. Mogi Mirim: Mauri; Marcão, Capone e Luís Carlos; Marco Antônio (Ildo), Marquinhos, Fernando (Ronaldo), Lélis e Válber; Leto e Rivaldo. Técnico: Vadão.