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PM de SP veta curso com homossexuais

Folhapress
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São Paulo - A Polícia Militar vetou a realização de curso de capacitação em que policiais aprenderiam, com auxílio de um bissexual e de uma transexual, a lidar com gays, lésbicas e travestis. A justificativa foi que a formação básica do PM inclui aulas de direitos humanos. O curso deveria ocorrer nos dias 9 e 10 de fevereiro.

A articulação foi iniciativa do 2.º Batalhão de Policiamento Metropolitano da Capital, responsável por atuar na região da Penha, Cangaíba, Ermelino Matarazzo e São Miguel Paulista, na zona leste da cidade. Os alunos seriam os policiais vinculados ao 2.º BPM.

A previsão era que as aulas fossem na USP Leste, onde, em setembro do ano passado, duas universitárias foram levadas à delegacia por uma PM porque se beijavam. Segundo a policial, as meninas cometeram ato obsceno -elas disseram apenas ter trocado um “selinho”. Um termo circunstanciado chegou a ser feito na Polícia Civil, mas o Ministério Público Estadual de São Miguel Paulista arquivou o caso.

Para o comando da PM, não há necessidade de dispensar o policial do trabalho diário e conduzi-lo para um curso cujo tema já faz parte da formação da corporação. “O policial militar é formado e capacitado para prestar os serviços da instituição - polícia ostensiva e de bombeiros - para toda a população”, diz trecho de nota da assessoria de imprensa da PM.

Anda segundo a nota da PM, soldados recebem 77 horas de aulas de direitos humanos. Os que se tornarem sargentos recebem mais 24 horas do mesmo curso. Na formação dos oficiais, a questão é debatida em um módulo de 90 horas. “Isso demonstra (...) que o tema faz parte dos currículos há anos, (é uma) ação pedagógica espontânea - e anterior ao questionamento atual - de adequação das capacitações profissionais ao que é contemporâneo.”

O conteúdo do curso, dividido em duas etapas de oito horas diárias, previa aulas sobre direitos humanos e, ainda, a importância de atender de forma correta às minorias. Uma peça de teatro, nos moldes do Teatro do Oprimido (técnica criada por Augusto Boal), mostraria aos policiais como se sente um homossexual vítima de discriminação.

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