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Globo e Record estréiam novelas amanhã e lutam por audiência

Folhapress
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“É guerra total!”, bradou Flávio Colatrello, diretor de “Cidadão Brasileiro”, novela que estréia amanhã, às 20h30, na Record, e baterá de frente com o “Jornal Nacional” e “Belíssima”, trama que dá audiência de 50 pontos. No mesmo dia, a Globo estréia, às seis, o remake de “Sinhá Moça”, exibida pela primeira vez em 1986, que tem a missão de manter o bom desempenho de “Alma Gêmea”, que chegou aos 50 pontos - recorde do horário.

A seu favor, a Record tem um dos grandes autores de novelas que, depois de 33 anos na Globo, assinará a primeira trama das oito da emissora paulistana: Lauro César Muniz. Além disso, um dos melhores elencos que a Record já recrutou, com Lucélia Santos, Gabriel Braga Nunes, Cecil Thiré, Cleide Yáconis, Leonardo Brício, Paloma Duarte, Floriano Peixoto, Luíza Thomé, Taumaturgo Ferreira e Miriam Freeland, citando apenas os principais.

A Globo aposta, mais uma vez, em um remake de Benedito Ruy Barbosa no horário das seis -carente de autores- e tem, como armas, sua tradição, estrutura e, claro, o bom elenco de sempre. Para citar alguns: Débora Falabella, Danton Mello, Osmar Prado, Patrícia Pillar, Carlos Vereza, Bruno Gagliasso e até Chico Anysio. Pode parecer que uma novela não interferirá no desempenho da outra, mas o fato de ter havido disputa pelo passe de Bruno Gagliasso entre Benedito Ruy Barbosa e João Emanuel Carneiro, que assinará a próxima trama das sete da Globo, é reflexo da defasagem de elenco que a emissora sofreu por conta da migração de seus atores, até então secundários, para a Record.

Mas quais as chances de a concorrente superar a hegemonia histórica da Globo no horário das oito? Impossível não é, uma vez que “Pantanal”, do próprio Benedito, deu trabalho a Silvio de Abreu, em 1990, quando foi ao ar sua tragicômica “Rainha da Sucata”. Mesmo assim, a cúpula da Record alterna momentos de “já ganhamos” com frases de humildade ponderada. Walter Zagari, superintendente comercial da emissora, conta que Edir Macedo, o bispo por trás da emissora, lhe deu a seguinte missão: “Nós vamos investir o que for preciso, não para ser melhor que a Globo, mas para ser melhor que a CNN.”

Autoconfiança à parte, Zagari comemora o fato de ter conseguido igualar o preço do anúncio no intervalo de “Prova de Amor” ao cobrado pela Globo durante a exibição de “Bang Bang”, e de ter aproximado as cifras de “Cidadão” às de “Belíssima”. “O anúncio de 30 segundos no intervalo de ‘Prova de Amor’ era de R$ 78 mil. Conseguimos aumentá-lo para R$ 166.420,, o mesmo valor de ‘Bang Bang’. ‘Belíssima’ cobra R$ 266 mil pelo mesmo tempo em seus intervalos. Claro que não pedimos o mesmo, mas ficou por volta de R$ 200 mil.”

Já o diretor de teledramaturgia da Record, Hiran Silveira, celebra o feito com bastante comedimento. “Temos consciência da dificuldade que enfrentaremos.” E Lucélia Santos, sempre extrovertida e tratada como a estrela de primeira grandeza da casa, resolve apelar à paz e ao amor entre as emissoras. “Não acho que isso seja uma guerra. A concorrência é salutar, gera oportunidades e eu não deixaria de fazer um discurso pacifista”, diz.

Lauro César Muniz admite que a proposta de “Cidadão Brasileiro” não é a de renovar a teledramaturgia, mas uma tentativa de abalar o monopólio da Globo em telenovelas. “Temos uma concorrente que é imbatível há mais de 30 anos. Não pretendo renovar nada, quero resgatar uma tradição dos primeiros anos do gênero, na década de 70, com personagens inseridos no processo político-social. Esta história tem elementos de ‘Escalada’ (1975), ‘O Salvador da Pátria’ (1989) e de outras que escrevi.”

Assim como o colega, Benedito Ruy Barbosa também prefere não trocar o certo pelo duvidoso e diz que haverá poucas mudanças na segunda versão de “Sinhá Moça”. “Para mim, quando gosto de um filme, vejo-o várias vezes. Assim como livros e peças de teatro. Com as novelas é a mesma coisa. Uma história que fez sucesso há 20 anos pode ser refilmada. Porém, há novelas antigas que eu não faria remake nem matando. Não posso falar para não ficar chato, mas algumas vocês já viram no ar.”

Com pouco mistério no roteiro, a Globo mantém o suspense deixando anônima Ísis Valverde, a atriz que interpretará Ana do Véu, papel de Patrícia Pillar na versão de 1986.

*James Cimino

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