Saúde

Estudo fará raio X de hipertensão e diabetes

Agência Saúde
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Aproximadamente 35% da população acima dos 40 anos no Brasil sofre de hipertensão arterial. Isso representa cerca de 12 milhões de pessoas. Já o diabetes atinge 11% dos brasileiros nessa mesma faixa etária, o que corresponde a quase 4 milhões de pacientes. Doenças muitas vezes evitáveis, com a adoção de hábitos saudáveis, hipertensão e diabetes provocam milhares de mortes todos os anos e geram altos custos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Preocupado com essas estatísticas, o Ministério da Saúde começou, em janeiro deste ano, o maior estudo já desenvolvido na América Latina, e um dos principais em todo o mundo para avaliar as causas e os efeitos desses problemas de saúde na população brasileira. O Estudo Multicêntrico Longitudinal em Doenças Cardiovasculares e Diabetes Mellitus (EMLDCD), também conhecido como Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa/Brasil), avaliará a saúde de cerca de 15 mil pessoas por um período que pode variar de 20 a 30 anos.

Um consórcio formado por instituições de ensino superior foi selecionado – por meio de chamada pública - para o desenvolvimento da pesquisa. As universidades federais de São Paulo (USP), de Minas Gerais (UFMG), da Bahia (UFBA), do Espírito Santo (UFES) e do Rio Grande do Sul (UFRGS), além da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), acompanharão a rotina e os hábitos alimentares dos voluntários ao longo de pelo menos 20 anos.

Por meio do estudo multicêntrico será possível, por exemplo, comprovar se um dos fatores que leva ao agravamento da hipertensão e do diabetes é a demora de os pacientes chegarem ao diagnóstico correto e, muitas vezes, não darem continuidade ao tratamento. “As conseqüências da hipertensão e do diabetes são graves, especialmente porque os sintomas não são reconhecidos facilmente pelos pacientes. Conhecemos a prevalência dessas doenças, mas queremos nos certificar sobre como e por que elas se desenvolvem”, explica o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Moisés Goldbaum.

A metodologia do estudo inclui exames clínicos e laboratoriais feitos freqüentemente. Checagem do Índice de Massa Corporal e medidas de cintura mostrarão a evolução corporal dos voluntários e questionários detalhados oferecerão subsídios sobre os hábitos alimentares. Cruzando essas informações, os pesquisadores poderão identificar como diferentes fatores na vida dessas pessoas agem na predisposição para hipertensão ou diabetes.

“Até o momento, cientistas brasileiros estudavam essas doenças de forma isolada e outras pesquisas de dimensão comparável ao estudo longitudinal restringiam-se a investigações da saúde de recém-nascidos”, esclarece Goldbaum. Segundo o secretário, doenças que atingem a saúde mental e da mulher também serão investigadas nesse mesmo estudo.

Os voluntários estão sendo selecionados entre o corpo de funcionários das instituições de ensino e pesquisa envolvidas no EMLDCD. A idéia é que a estabilidade dessas pessoas no emprego garanta o monitoramento dos pacientes pelos pesquisadores, mesmo em caso de mudança de endereço.

Longevidade

“O Estudo Multicêntrico Longitudinal ficará ainda mais interessante à medida que o tempo passar e as pesquisas avançarem”, explica a diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Suzanne Serruya. “No momento, estamos realizando a compra de equipamentos e a capacitação dos técnicos para uniformizar os procedimentos”, conta. Segundo Serruya, essa padronização é importante para que não haja distorções na comparação de resultados.

Para o estudo, o governo federal - por meio dos ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, e também da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) - investirá R$ 22,6 milhões, recursos suficientes para o financiamento dos estudos de 2006 a 2008. Metade dessa verba vem do Fundo Nacional de Saúde (FNS) e a outra parte, do Fundo Setorial CT-Saúde.

Os investimentos justificarão a melhora das atuais políticas públicas, formulação de ações cada vez mais direcionadas - considerando, inclusive, as realidades regionais - e execução de medidas de prevenção da hipertensão e do diabetes. Na prática, o estudo funcionará como instrumento para prevenção de problemas de saúde dos brasileiros, o que resultará em menos despesas ao SUS.

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