Bairros

Idosos devolveriam vida ao Centro

Por Da Redação | Colaborou Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

O que o Centro de Bauru precisa para que as pessoas escolham a região como local de moradia? Foi com o objetivo de responder esta pergunta que o Grupo Pró-Bauru procurou a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Instituição Toledo de Ensino (ITE) para realizar consulta pública envolvendo moradores e trabalhadores do Centro, além daqueles que o visitam para realizar suas compras e serviços. O resultado da pesquisa mostrou que a população acha que o Centro pode suprir a demanda reprimida de habitação em Bauru, principalmente para pessoas que vivem sozinhas e idosos.

Também foi sugerida a construção de condomínios verticais e econômicos para trabalhadores do Centro, em espaços que hoje estão vagos, especialmente nas proximidades da rua Ezequiel Ramos. Muitos dos pesquisados também afirmaram que as casas e apartamentos antigos, disponíveis para aluguel, embora espaçosos, não condizem com o conforto possível atualmente, principalmente em relação às instalações hidráulicas e elétricas.

Assistência e desenvolvimento social para as pessoas marginalizadas foram ações apontadas pelos entrevistados como uma maneira de diminuir a violência no Centro da cidade. Os entrevistados também reclamaram da falta de limpeza, iluminação, arborização, bebedouros e banheiros públicos e bancos para descanso nas ruas.

A consulta também detectou a falta de creches, centros de atividades desportivas e de um restaurante a preços mais acessíveis para os trabalhadores. “Poderia haver mais atividades culturais como incentivo para atrair as pessoas para o Centro”, afirma o professor da ITE e participante da pesquisa, Reinaldo Cafeo.

Na pesquisa, foram entrevistados moradores, trabalhadores, consumidores, além de religiosos, representantes de sindicatos e associações. Constavam questões como: “qual é a imagem que você tem do Centro?”; “você acha que a violência no Centro é mais real ou imaginária? “você moraria no Centro?; “Quais os problemas que você detecta no Centro e quais as soluções que você apresentaria para eles?”.

A aposentada Marcília Perez Quaggio, que escolheu morar no Centro, aponta as vantagens. “Tudo fica perto de casa. Além disso, gosto da movimentação de pessoas que só o Centro tem”, diz. Ela mora na região há 12 anos, em um prédio nas proximidades da Praça Rui Barbosa. No Centro, ela conseguiu fazer bons amigos, como a auxiliar de limpeza Simone Célia Teles Furlan.

A pesquisa constatou que nas proximidades da Praça Rui Barbosa moram muitos idosos, que sugeriram atividades como serestas ou bailes ao ar livre no local. Foi na Praça Rui Barbosa que o aposentado Oswaldo Abel Bortoluci, 82 anos, conheceu sua esposa, em 1952.

Na mesma época, Antônio de Oliveira, 75 anos, costumada tocar pandeiro na banda que se apresentava no coreto. Hoje, os dois e o amigo Zaqueu José Barbosa, 82 anos, freqüentam a praça, diariamente, com idéias de melhoria. “Antes a praça era um espaço para encontro de pessoas, mas está muito mal cuidada”, diz Bortoluci. Barbosa propõe a limpeza, melhoria nos bancos e iluminação.

Também na praça, foi proposta pelos entrevistados a implantação de um pequeno parque infantil, para que os casais com filhos pudessem passear. As atividades para o público mais jovem, como apresentações de hip-hop, samba e rock poderiam ser realizadas no outro extremo do Centro, na Praça Machado de Mello.

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