De uma só vez foram confirmados ontem oito novos casos de leishmaniose visceral humana em Bauru, doença transmitida pelo mosquito-palha e que pode matar. Dois são referentes a pacientes que apresentaram os sintomas da moléstia no ano passado e seis neste ano, o que volta a preocupar os órgãos de saúde. Com os novos registros, sobe para 13 o número de casos da doença neste ano. No ano passado, as notificações agora somam 32, com quatro mortes.
A confirmação dos oito novos casos foi feita ontem pelo Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo e pelo Instituo Adolfo Lutz, órgãos da Secretaria do Estado da Saúde. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, sete pacientes que já haviam se submetido a exame do Adolfo Lutz e cujo resultado deu negativo, continuavam apresentando sintomas da doença. Por isso, passaram por análise clínica epidemiológica, realizada pelo Centro de Vigilância Epidemiológica e que confirmou mais dois casos em 2005 e em seis deste ano.
Um dos casos confirmados ontem foi através do método de rotina realizado pelo Instituto Adolfo Lutz. Os oito pacientes cuja doença foi confirmada ontem estão em tratamento no Hospital Estadual de Bauru. Os que apresentaram sintomas no ano passado são moradores do Jardim Ouro Verde e Vila Coralina. Já os deste ano residem na Vila Industrial, Vila Alto Paraíso, Jardim Prudência, Vila São João da Boa Vista, Parque Viaduto e no Centro.
Moradora na Vila Dutra, um dos bairros com novo registro da doença, Maria de Fátima Oliveira tem medo de que alguém de sua família entre para as estatísticas. “Do jeito que tem lixo jogado em terrenos baldios, a gente fica preocupada porque o mosquito (palha) pode estar criando lá. Tenho três filhos e fico preocupada porque sei que a doença mata”, frisa.
A assessoria de imprensa da prefeitura informou que a Secretaria Municipal de Saúde executou todas as medidas de prevenção e controle no combate à doença, que inclui busca ativa de casos humanos, coleta de sangue de cães suspeitos de estarem com a doença e orientação à população sobre os cuidados com o lixo no meio ambiente para evitar a procriação do mosquito-palha.
Este é o quarto ano consecutivo que Bauru registra casos da doença. Em 2003, quando e na forma visceral em humanos foi registrada pela primeira vez em Bauru, foram contabilizados 17 casos e uma morte. Em 2004 saltou para 29 casos e três mortes. No ano passado, foram 32 casos e quatro mortes, o que colocou Bauru no primeiro lugar do ranking de leishmaniose no Estado de São Paulo. Araçatuba, que em anos anteriores liderava o ranking, registrou 12 casos em 2005, segundo a Secretaria do Estado de Saúde.