O presidente estadual do PT, Paulo Frateschi, já trabalha com a hipótese de o ex-prefeito de São Paulo José Serra (PSDB) deixar a disputa ao governo do Estado e disputar a presidência da República, exatamente no lugar do colega e ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). A leitura do bastidor político da liderança petista foi revelada ontem à noite em Bauru, onde Frateschi compareceu para participar de plenária do partido, que confirmou a pré-candidatura da presidente do PT local, Estela Almagro, a deputada federal.
De acordo com Frateschi, o processo de enfraquecimento da campanha de Alckmin, iniciado com as denúncias sobre favorecimento a aliados políticos com verbas de publicidade da Nossa Caixa, teria partido de tucanos ligados a Serra. “O PT não tem nada com isso. Nós estamos denunciando essas coisas há seis anos e nunca saiu uma linha na imprensa. Quem você acha que furou esse bloqueio? Gente do Serra”, acusou.
O dirigente petista arriscou ainda que a manobra dos serristas consistiria em não permitir que Alckmin decole nas pesquisas até junho próximo, quando as candidaturas devem ser realmente definidas. “O Serra está fazendo o Alckmin correr atrás do próprio rabo”, comentou o petista em alusão à legenda tucana.
Apesar de trabalhar com a hipótese de o candidato ao governo pelo PSDB não ser José Serra, Frateschi também não descarta uma crise nas fileiras tucanas, caso Geraldo Alckmin não desista de concorrer à presidência, mesmo sem crescer nas pesquisas. Se isso acontecer, então o PT aposta no enfraquecimento de Serra na disputa estadual.
“Pode ser que não mude. Mas vai chegar numa situação que o Alckmin não cresce, mas não larga o osso e a crise no PSDB fica insuportável. Aí o Serra se enfraquece porque, se o Alckmin não jogar votos para o Serra, ele não vai ter esse poder todo no Interior e aí abre espaço para a gente crescer”, salientou.
Diante da possibilidade vista pelo PT de Serra não ser o candidato a governador, a direção do partido vê o senador Aloizio Mercadante como a melhor opção para o governo paulista. Mercadante disputa a indicação do partido com a ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy.
Segundo o dirigente petista, o partido pretende federalizar a disputa, ou seja, colocar o candidato a governador como principal cabo eleitoral da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para Frateschi, o senador teria mais elementos para isso, já que é o líder do governo no Senado e acompanha de perto todas as ações do governo federal. “Não há dúvidas que diante do que o PT pretende no Estado, que é federalizar a campanha, mostrar o que foi feito em nível federal e o que pode ser trazido para São Paulo, a melhor candidatura é do Mercadante”, frisou.
A intenção de federalizar a campanha dentro do Estado ganhou força de tal modo que os petistas vão tentar um acordo para que não haja a necessidade das prévias, marcadas para 7 de maio.
Mas para isso acontecer seria necessário a desistência de Marta, confirmando Mercadante para o embate. “É lógico que se não houver prévias é melhor, mas para isso um dos candidatos deve abrir mão. Vamos conversar com os dois e ver o que pode ser feito”, declarou.
Veneno
Na estratégia de animar briga em ninho alheio, Paulo Frateschi afirmou ainda que o ex-governador Geraldo Alckmin está experimentando o mesmo veneno que a senadora Roseana Sarney (PFL-MA) provou em 2002, quando sua candidatura à presidência foi inviabilizada por causa de denúncias envolvendo as empresa do marido, Jorge Murad, logo depois que seu nome crescia nas intenções de voto.
“Sem dúvida que a turma do Alckmin está tomando o veneno. E vem do mesmo pote”, disse, referindo-se a José Serra, que se consolidou como candidato a presidente em 2002,logo depois que Roseana Sarney desistiu da candidatura.