A falta de um candidato a deputado federal no PSDB de Bauru e a crise que o fato encancarou demonstram um fenômeno que vem crescendo a cada eleição: poucos políticos locais querem se aventurar em uma campanha incerta, caríssima, apenas para marcar posição ou ajudar o partido.
De acordo com a média de pensamento dos políticos locais, os maiores problemas enfrentados pelas legendas são a falta de dinheiro para bancar a campanha e o número de votos que será necessário para eleger um deputado, principalmente federal.
O PSDB estima que um candidato pelo partido precisa ter pelo menos 150 mil votos para conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2002, o deputado eleito com menor votação dentro do partido teve 114 mil.
O caso dos tucanos não é isolado. Os demais grandes partidos de Bauru têm dificuldades em encontrar quem esteja disposto a encarar a disputa, seja para deputado estadual, seja para federal. Para se ter uma idéia, até o momento apenas dois partidos têm pré-candidatos a ambos os cargos: PMDB e PV. Os demais – PSDB, PT, PFL, PTB, PSB, PC do B, PPS, PRTB e PHS – apresentaram alternativas a apenas um dos cargos. O PP diz que lança candidatos, mas não definiu se será apenas a estadual ou terá uma dobradinha dentro do partido.
Já o PDT, que tem o prefeito Tuga Angerami em seus quadros, não deve nem lançar candidatos da cidade. O presidente do PDT de Bauru, Antônio Faria Neto, enumera as dificuldades de encontrar alguém disposto a encarar a campanha eleitoral. “Precisa de muitos votos e dinheiro. Uma coisa puxa a outra. Quanto mais você precisa de votos, mais tem que gastar”, disse.
Outro problema colocado pelos políticos é o elevado número de candidatos na cidade. “Um atrapalha o outro e nenhum se elege”, afirma Faria Neto. O pedetista acredita que seria necessário um consenso entre os postulantes para que ao menos um deles consiga se eleger.
Para o vereador Marcelo Borges, que desistiu recentemente da pré-candidatura a deputado federal pelo PSDB, além dos problemas financeiros e da quantidade elevada de votos, os partidos não encontram um nome viável para a disputa. “Se você olhar o quadro com atenção, vai ver que tem o candidato muito forte e o muito fraco. O meio termo está acabando, não tem mais o candidato médio”, salientou.
Dois fatores que também dificultam a vida dos partidos políticos vêm de Brasília. Um é a crise política, que vem se arrastando desde o ano passado, com envolvimento de parlamentares em escândalos e atividades ilícitas.
A absolvição de deputados pelos colegas também tira a credibilidade dos políticos perante à sociedade, o que desanima pretensos candidatos a encarar a disputa eleitoral.
Outro fator é a necessidade de uma reforma política. Para o vereador Paulo Madureira (PP), o fato de a lei eleitoral mudar todo ano atrapalha. “A cada eleição as regras são mudadas. Precisa fazer uma reforma política séria, para tentar consertar os erros”, ressaltou.
Cláusula de barreira
Apesar de não ser mencionada pelos políticos locais, a cláusula de barreira pode determinar o lançamento ou não de candidatos. Os partidos, principalmente os de menor expressão, precisam correr atrás dos votos necessários para se manterem ativos.
Pela cláusula de barreira, na eleição para a Câmara dos Deputados, os partidos devem obter, no mínimo, 5% dos votos apurados, distribuídos em pelo menos 1/3 dos Estados, com um mínimo de 2% do total de cada um deles.
Sem esse total de votos, os partidos perdem direito à liderança na Câmara dos Deputados e à participação nas comissões, além de perder o direito ao tempo em rádio e TV, e acesso à divisão da maior parte do Fundo Partidário.