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Ônibus circulam quase vazios, criticam pais de alunos sem transporte

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Perder direito ao transporte escolar gratuito por morarem a menos de dois quilômetros da escola em que estão matriculados já era motivo de indignação de pais de alunos da rede estadual de Bauru. Mas, desde a semana passada, eles constataram outro problema: ao invés de um ônibus escolar, agora são dois que transportam os alunos da escola estadual Antônio Serralvo Sobrinho, na Vila Independência.

O fato causou revolta nos pais dos alunos porque os dois ônibus escolares estariam transportando menos da metade de capacidade de passageiros. “O ônibus sai praticamente vazio da escola (Antônio Serralvo Sobrinho) e passa quase em frente à minha casa com poucos alunos. É um absurdo porque tantas crianças precisam do transporte e os ônibus circulam com poucos. Meu filho poderia ser transportado com segurança”, diz Lídia Santos de Paulo.

A reportagem constatou que dois ônibus passaram na escola estadual Antônio Serralvo Sobrinho -uma das instituições que teve cortes na lista de estudantes transportados- quase vazios na quarta-feira. Às 11h30, o primeiro ônibus escolar estacionou em frente à escola para aproximadamente 15 alunos entrarem. O segundo ônibus chegou por volta das 11h40, quando só subiram três alunos. Ambos levam estudantes a áreas rurais ou de difícil acesso.

Em levantamento da Diretoria Regional de Ensino, 278 alunos de três escolas estaduais – José Viranda, Antônio Serralvo Sobrinho e Ada Cariani Avalone - ficaram sem transporte no início deste ano letivo após aplicação da resolução da Secretaria da Educação do Estado.

Enquanto aguardava o filho sair da escola, Maria Jeusa da Silva contava os minutos no relógio. Ela trabalha como manicure e precisa remarcar as clientes para buscar a criança na escola. Quando não pode perder um compromisso, preocupa-se com o trajeto que o filho de 9 anos faz da escola até sua casa. “Ele atravessa a avenida Castelo Branco, que é movimentada”, diz. O filho dela e outros colegas formam um pequeno grupo de crianças entre 7 e 10 anos de idade que enfrenta o trajeto sem a presença de adulto.

Mãe de um aluno da mesma escola, Eliane Santos Silva também percebeu que os ônibus escolares estavam transportando poucos estudantes. “Com dois ônibus, todos os alunos poderiam ser transportados. A quantidade de gasolina usada é a mesma. Acho um absurdo”, diz. Ela conta que desde o início do ano, reveza-se com o filho mais velho para buscar o caçula, de 8 anos. “Preciso andar pouco mais de 2 quilômetros porque acho perigoso deixá-lo andando sozinho. A avenida Castelo Branco é bastante movimentada”, ressalta.

Lídia Santos de Paulo mora no Jardim Ouro Verde, próximo da escola estadual Durval Guedes de Azevedo. “Acho que as crianças deveriam estudar em escolas próximas de suas casas para não ter esse problema. Mas, na escola Durval tem salas só a partir da 5.ª série”, opina a mãe.

As mães dos alunos que perderam o transporte escolar ainda aguardam decisão do Ministério Público que saiu em defesa dos alunos. A retomada do transporte escolar foi requerida à Justiça no mês passado à Justiça por meio de ação civil pública protocolada contra a Fazenda Pública do Estado de São Paulo.

A dirigente regional de ensino, Vera Nilce Jarussi Gomes de Sá, foi procurada, mas não foi encontrada para comentar sobre o assunto.

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