Buenos Aires - Pesquisadores da Argentina e do Canadá dizem ter encontrado uma evidência concreta de que dinossauros carnívoros gigantes, como o Tyrannosaurus rex, caçavam em bandos. A conclusão veio do estudo de uma nova espécie dessas feras, achada na Patagônia. A criatura, que provavelmente tinha mais de 12 metros de comprimento, foi batizada Mapusaurus roseae. A descoberta incluiu fósseis de até nove indivíduos, o que sugere que o animal possa ter vivido e caçado em bandos.
A estratégia pode ter permitido ao animal atacar animais ainda maiores, como os pescoçudos comedores de plantas que então habitavam a América do Sul. Embora tenha sido desenterrado há mais de cinco anos, o Mapusaurus só está sendo oficialmente descrito agora, em artigo na última edição da revista “Geodiversitas”, do Museu Nacional de História Natural da França. Seus autores são o argentino Rodolfo Coria, do Museu Carmen Funes, em Neuquén, Argentina, e o canadense Philip Currie, da Universidade de Alberta, Canadá. Os fósseis estão bastante fragmentados, mas, segundo declarou Currie, o Mapusaurus pode ter sido um pouco maior que seu parente argentino Giganotosaurus, que está entre os maiores dinos bípedes carnívoros.
Segundo os autores, o achado pode sugerir comportamento social na espécie. Até hoje são raras as evidências de que terópodes gigantes vivessem em bandos, embora para predadores pequenos e mais aparentados com as aves, como o Velociraptor, isso já tenha sido amplamente demonstrado.
“Restos de Mapusaurus foram achados em um leito fossilífero no qual 100% dos ossos de dinossauro identificáveis podem ser atribuídos ao novo gênero”, escrevem os cientistas. Provavelmente não se trata de coincidência: os animais devem ter morrido juntos, raciocina a dupla. A caça em bando teria permitido ao predador se banquetear com animais como o Argentinosaurus, um colosso de 37 metros e mais de 80 toneladas. Não está claro se os dinos cooperavam na caça, como fazem os leões.