O espanhol Rodrigo Diaz de Vivar, nascido entre 1040 e 1044, morto em 1099, foi um dos maiores guerreiros de todos os tempos. Ele é mais conhecido pela alcunha El Cid Campeador, e sua fama persiste ligada à Reconquista, período de retomada pelos cristãos da península Ibérica dominada pelos muçulmanos ou “mouros”. Na visão popular ele se tornou o grande herói da cristandade ibérica, símbolo da Reconquista que começaria já em 711 - ano da conquista islâmica - até 1492, quando a última cidade moura, Granada, se renderia.
O episódio de “Os Conquistadores”, amanhã às 22h, no The History Channel, sobre grandes líderes militares, dá a dimensão correta dessa figura histórica. El Cid não era ainda um cruzado. Ao contrário, durante um período de exílio, chegou a servir a um governante islâmico e lutar contra cristãos. O mito do herói da Reconquista foi criado pouco depois de sua morte, com a veneração que seu túmulo perto de Burgos causava.
Mas foi um poema, “El Cantar de Mio Cid”, ou “El Poema del Cid”, do começo do século 13, que lançou as bases da lenda. No poema ele não aparece em nenhum momento lutando ao lado dos mouros, como lembram os historiadores entrevistados no documentário. Mas o Cid real mantém sua estatura. Foi um daqueles raros guerreiros de quem se pode dizer que era “invencível”, pois nunca perdeu um combate ou deixou de conquistar uma cidade.
Ele era um autêntico “free lancer”, no sentido literal da expressão - um “lanceiro livre”, quase um mercenário. Começou servindo a reis de Castela, passou cinco anos exilado servindo ao emir de Saragoça e depois conquistou suas próprias terras em torno de Valência, onde morreu em paz. Não deixou sucessores à altura, o que causou a retomada de Valência pelos mouros. A Reconquista só deslanchou na primeira metade do século 13, coincidindo com o poema que cimentou sua reputação.