A entrada de Maria Amélia Campos, mãe do bebê abandonado em brejo da favela São Manoel na segunda-feira à noite dentro de uma bolsa, e Delza Aparecida da Silva, acusada de ter cooperado com o aborto, alterou a rotina das detentas do Presídio Feminino de Cabrália Paulista. Ontem, as duas, que estão em uma cela reservada, denominada seguro, foram agredidas verbalmente e fisicamente por outras presas que se revoltaram com o fato de a criança ter sido abandonada na sacola.
O diretor da cadeia, Rogério Dantas, explica que ontem, durante o banho de sol, algumas presas tentaram aplicar um corretivo em Maria Amélia e Delza, através da janela da cela que tem comunicação com o pátio. “Elas não aceitam este tipo de crime porque é contra o próprio filho”, comentou o delegado.
Dantas frisou que a situação não chegou a ficar crítica porque os carcereiros intervieram rapidamente. “As detentas tentaram queimá-las com cigarro, mas a situação foi controlada”, frisa. Tanto a mãe quanto a parteira não estão saindo para o banho de sol no horário das demais para evitar confronto.
O diretor do presídio disse que ainda não sabe se pedirá a transferência da dupla. “Primeiro, eu vou analisar a situação como um todo. Quero identificar as presas que tentaram agredir as duas e vou ouvi-las antes de tomar uma decisão”, diz.
O bebê, que continua internado na Maternidade Santa Isabel, foi localizado por policiais militares depois que Maria Amélia procurou o hospital com hemorragia, na segunda-feira à noite. O médico plantonista acionou a polícia porque suspeitou de aborto, uma vez que ela tinha parte da placenta ainda no interior de seu corpo.
Policiais militares que atenderam a ocorrência pediram informações sobre o bebê e a mulher acusou seu namorado, André Luiz da Silva, de ter dado sumiço na criança. O rapaz foi encontrado e levou a polícia até um brejo, atrás da favela São Manoel, onde o bebê estava dentro de uma sacola de viagem.
Maria Amélia e André Luiz foram presos em flagrante por tentativa de aborto, assim como Delza, que teria fornecido os medicamentos para a gestante, cobrando R$ 300,00.