Piratininga - O juiz Luiz Roberto Fink Júnior negou ontem a concessão da liminar para o retorno imediato do prefeito afastado de Piratininga, Mauro Martinão (PSDB), ao cargo.
Mesmo sem saber o teor da decisão tomada pelo juiz, o advogado Giuliano Travain anunciou que irá recorrer ao Tribunal de Justiça (TJ). “Amanhã (hoje), vou pegar cópia de tudo e ver qual é o recurso cabível”, declarou ele.
Sobre a negativa da Justiça de Piratininga em reconduzir o prefeito ao cargo, Travain disse que isso não o desanima para os recursos a instâncias superiores. Mesmo em caso de nova derrota no TJ, ainda caberá recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Mauro Martinão está afastado da prefeitura desde quarta-feira da semana passada. A decisão foi tomada pela Câmara, que decidiu afastar o prefeito até que estejam concluídas as investigações da Comissão Processante (CP) sobre o pagamento adiantado de um carregamento de madeira e suposto uso de nota fria.
O prefeito afastado não quis se manifestar ontem sobre a decisão da Justiça. Ele disse que ainda não havia conversado com seu advogado sobre o assunto, o que deve ocorrer hoje.
Martinão nega que soubesse do pagamento da madeira sem que a mesma tivesse sido entregue à prefeitura. A responsabilidade por esse controle, segundo ele, seria do chefe pelo setor de Obras Antônio Álvares Rodrigues e do tesoureiro Sérgio Fortunato. Ambos foram afastados de suas funções e respondem a um processo administrativo dentro da prefeitura.
Na Câmara, os integrantes da CP aguardam a definição sobre assessoria jurídica e a apresentação da defesa de Martinão para dar início às investigações. Enquanto isso, o município continua sendo administrado pela vice-prefeita Sílvia Mendes Soares (PSDB).
Além do trabalho de investigação que será feito pelos vereadores na CP, Martinão responde também a um inquérito aberto na Delegacia Seccional de Bauru.
Toda a confusão começou por causa da compra de vigotas de madeira para o conserto de pontes da zona rural. Os vereadores descobriram que antes do material ser entregue a prefeitura havia autorizado o pagamento da compra.
No dia seguinte à descoberta, a empresa entregou a madeira, mas em quantidade menor da que havia sido comprada e de qualidade inferior. A validade da nota apresentada pela empresa também está sob suspeita.