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Regras eleitorais indefinidas


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Nenhuma eleição recente, no Brasil, encontrou a classe política e seus partidos em situação tão precariamente organizada ou até mesmo totalmente desestruturada como esta de 2006. Estamos a 150 dias do primeiro turno da eleição que decidirá a troca do presidente da República, dos governadores, dos deputados e de um terço dos senadores e nem mesmo as regras eleitorais estão definidas.

Pasmo e desinteressado, o eleitor vê que cada candidato a presidente envolve-se em denúncias - algumas graves, outras pitorescas - que o atingem diretamente, por ação ou omissão, ou atingem seus respectivos partidos, assessores ou familiares.

A geração de sucessivos noticiários de denúncias, ao invés de promover revolta no eleitorado, acaba apenas por reduzir o interesse ou a paciência do cidadão frente ao tema que mais diretamente atinge seu dia-a-dia: o processo político, os dirigentes públicos, a filosofia de trabalho que norteará as ações e as políticas públicas e os efeitos dos atos gerados pela classe política na vida de cada brasileiro.

Este talvez seja o aspecto que mais beneficia a reeleição do presidente Lula neste momento: a desmobilização da sociedade sobre as práticas de gestão e as práticas morais do atual governo e, conseqüente e simbolicamente, de todo o País, uma vez que, não sendo criticado ou encurralado pelo questionamento moral, torna-se avalizado para seguir adiante com práticas vulgarizadas como se essas fossem normais ou aceitáveis.

Enquanto o noticiário encontra farta matéria-prima em denúncias de corrupção e desmandos, o País não inicia o grande debate sobre o futuro, sobre o desenvolvimento, a reforma tributária, as propostas educacionais, as soluções da grave crise previdenciária, o uso da terra, a reforma política, os programas sociais para os mais de 15% da população portadores de necessidades especiais, o programa nacional de saneamento básico, as novas fontes energéticas, a valorização cambial, o ensino empreendedor e tantos outros temas até agora negligenciados pela classe política.

A apenas 150 dias ds eleições encontramos partidos políticos, dirigentes partidários e políticos com mandato - de vereador a presidente da República - negligenciando uma das suas atividades mais clássicas: o debate sério sobre o futuro do País. As poucas exceções apenas confirmam a regra geral: temos partidos políticos e uma classe política intelectualmente despreparada e desestruturada para gerir essa grande Nação.

O autor, Marco Iten, é jornalista, consultor político e autor dos livros de Marketing Político Eleição - Vença a sua! e Eleição de Deputados

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