O título deste artigo seria originalmente "Alô, Alô, marciano", alusão a uma música de Elis Regina, embora a letra nada tenha a ver com o assunto. Seria, apenas, uma alusão a um lunático, alguém que parece chegado de outro planeta. Em recente entrevista a um jornal paulistano, o ministro das relações institucionais, Tarso Genro, se estende em argumentações e conceitos absurdos. Não dá para saber se o faz por convicção, por se achar o portador da verdade absoluta, ou para (tentar) fazer tipo junto à platéia. A sua mais exótica declaração é que “o somatório (Sic) de ataques feitos a Lula da Silva não tem paralelo na história (...)”.Esqueceu-se de mencionar que a roubalheira, o assalto perpetrado contra o Estado brasileiro não encontra similar desde a descoberta do Brasil.
Aqui, uma obviedade, como um professor falando numa aula do ensino médio: “A corrupção no Brasil é sistêmica. Dizer que esse processo começou agora é uma barbaridade”. Primeiro, ninguém afirmou isso, segundo: a corrupção sempre existiu no mundo todo e sempre existirá. O que se pode e deve fazer, como no caso de uma doença incurável, é mantê-la sob controle, em níveis minimamente toleráveis, tanto quanto possível. Dizer que o governo Lula está sob cerco político é outra sandice. Cerco de quem? (possivelmente ele diria que da imprensa). De onde terá tirado esta ilação? Até as pedras sabem que o governo e a oposição se acertam muito bem longe das vistas do público. Para este mestre do ilusionismo verbal, o “Fora FHC” é nada perto do que a “oposição” faz hoje, quando todos conhecem a docilidade desta oposição. Apregoa platitudes, como “nenhum partido é formado por anjos”, decerto para justificar as diabruras deste governo, de cujo ex-integrante ouviu-se se queixar de estar no terceiro ou quarto círculo do Inferno (de Dante). Ou ainda infantilidades como “quem investigou mais, quem puniu mais?”, numa outra tola comparação com governos passados. Que governo mostrou maior desespero em esconder sua podridão, com envolvidos lutando feito samurais contra a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, ou escudando-se em liminares para se desobrigarem a dizer a verdade, afrontando a todos nós que, atônitos, assistimos o desenrolar desta novela que já quase dez meses? Tarso acredita “ser possível criar um ambiente (político) mais saudável”. Só não diz como. Com este Congresso? Com a indecente continuidade das atividades de gente como José Dirceu, fazendo acertos políticos, um homem que acaba de ser cassado? Com votações secretas e alianças espúrias já sendo alinhavadas por Dirceu?
O que será que o brilhante ministro quis dizer com esta frase esotérica: “a partir de um certo momento teremos de ajustar o discurso político, sob pena de desvalorizarmos o presidente que for eleito?” Faz sentido para você, leitora(o) este termo, ajustar o discurso político? Fala, na eventualidade de um segundo mandato de Lula, numa coalizão com o PMDB. Outra?
Mera repetição desta em cartaz, capitaneada por José Sarney ou outra, ampliada? Mais uma frase tola, vazia:”hoje podemos dizer que há centenas de motivos para votar no PT”. Por gentileza, ministro Genro, peça à sua assessoria que envie uma lista com os cem motivos para votar no PT para o e-mail: luizleitao@allsites.com.br e terei os indescritíveis prazer e honra de divulgá-los para os leitores.
O autor, Luiz Leitão, é colaborador da seção Opinião