Geral

Baixa umidade do ar eleva risco à saúde e de incêndio

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A madrugada de ontem foi a mais fria do ano em Bauru. De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), exatamente às 5h50, os termômetros marcaram 9,2º. E a umidade relativa do ar caiu para 21% durante a tarde. Quando o índice é inferior a 30%, é declarado estado de atenção por aumentar os riscos à saúde e de incêndios.

Os efeitos da baixa umidade do ar podem ser sentidos no organismo das pessoas e pelas ruas de Bauru. A umidade do ar é, de forma simplificada, quanto de água na forma de vapor existe na atmosfera no momento com relação ao total máximo que poderia existir, na temperatura observada. Ela aumenta sempre que chove devido à evaporação que ocorre posteriormente. Quando a umidade está baixa, as pessoas podem apresentar complicações respiratórias devido ao ressecamento de mucosas, sangramento pelo nariz, ressecamento da pele e irritação dos olhos. Para o meio ambiente, o prejuízo é o aumento considerável de fogo em mato. Ontem, os bombeiros apagaram 16 focos de incêndio na cidade.

No início da noite, a umidade do ar subiu para 43%, mas durante o dia a sensação de ar seco foi permanente. De acordo com a otorrinolaringologista Sibele Germano, a baixa umidade do ar prejudica especialmente as pessoas que possuem rinite alérgica. O ressecamento da mucosa nessas pessoas, que chegam até a 40% da população mundial, pode desencadear todo um quadro, alterando o processo de respiração e a fisiologia normal. “Começa a ter obstrução nasal, começa a ter coriza, coceira no nariz e vias aéreas. Como o canal lacrimal desemboca dentro do nariz, isso afeta também um processo alérgico conjuntivo, no olho”, explica a médica.

Mas, nesses casos, o principal problema é a demora para iniciar o tratamento após o quadro alérgico ter sido desencadeado. Nessa fase, começam a aparecer os quadros infecciosos. “Quando o paciente não procura o tratamento, começa a ter uma secreção com bactérias e aí pode virar até uma pneumonia. É um processo que, se não for cortado logo, pode até chegar a esse ponto”, observa Germano.

Para quem não possui rinite alérgica, o ressecamento das mucosas pode ser combatido com uma lavagem do nariz com soro fisiológico. “É um hábito de higiene que deve ser mantido e virar rotina. Se a pessoa fizer uma vez ao dia, já está bom”, aconselha Germano. E para melhorar a umidade do ar, a médica recomenda a já conhecida “técnica da bacia”. “Como nem todo mundo tem condição de comprar um vaporizador de ar, colocar uma bacia cheia de água sobre algum móvel vai melhorar a umidade, principalmente no período noturno”, garante a especialista.

Sistema respiratório

Para o pneumologista José Eduardo Bergami Antunes, a baixa umidade do ar, associada à inversão térmica, é o que mais preocupa. “O ar fica parado, a poluição não dissipa e ele se torna agressivo às vias aéreas”, aponta. Segundo o médico, o ar que chega aos pulmões precisa ser hidratado e filtrado. Quando o ar está sujo, ele agride as defesas do sistema respiratório e chega em condições ruins para o organismo. “Se a via aérea estiver comprometida, o ar sujo chega aos pulmões”, observa.

Na avaliação de Antunes, para evitar o aumento de pacientes com problemas respiratórios em Bauru, seria necessário uma conscientização coletiva. “Essa situação se repete todo ano. E só vai acabar quando as pessoas pararem de colocar fogo nos terrenos. Mesmo depois do fogo apagado, o local fica fumegando e esse ar destrói as vias aéreas”, explica.

Comentários

Comentários