Rio de Janeiro - O pré-candidato do PMDB à Presidência da República Anthony Garotinho adicionou desde anteontem soro fisiológico a sua dieta, que vinha sendo apenas de água desde o início da greve de fome, iniciada domingo passado para protestar contra o que considera uma perseguição política de empresas de comunicação e do governo Lula.
Garotinho participou do programa de rádio “Fala, Governadora”, na manhã de ontem, e transferiu a responsabilidade de sua eventual morte devido à greve a Lula. “Quero deixar registrado que se alguma coisa me acontecer, os responsáveis chamam-se Lula, Globo, ‘Veja’ e bancos.” Acompanhado por seu médico, Abdu Neme, Garotinho vem tomando soro para melhorar a hidratação.
Segundo o médico da unidade de pacientes graves do Hospital Souza Aguiar Marco Aurélio Albuquerque Lima, o soro não alimenta, porém hidrata mais que a água e melhora a pressão arterial. Até ontem, Garotinho já havia perdido 4 kg. “O ex-governador do Rio mantém-se lúcido, orientado, desidratado em grau leve a moderado, com períodos alternados de prostração e sonolência. Houve discreta melhora do grau de hidratação com a introdução da terapia de reidratação oral. Níveis pressóricos mantiveram-se instáveis com períodos de hipotensão arterial. Aparelho cardiovascular apresenta ritmo normal”, disse nota médica de ontem.
Na sede regional do PMDB, onde está há uma semana, Garotinho recebeu apoio de cerca de 50 fiéis e pastores da sua igreja, que oraram e cantaram por ele e ouviram pregação política do reverendo Guilhermino, aliado político do casal. “Vocês são absolutamente terroristas, porque vão falar com aquele com linha direta com o Pai eterno. Há gestos extremos (greve de fome), que demoramos a entender”, disse ele.
A governadora Rosinha Matheus, sua mulher, chorou, cantou e agradeceu o apoio dos amigos. Disse que é contra a greve de fome, mas respeita o propósito do marido, que é defender a honra. Criticou os que ridicularizam o marido e afirmou que não viu o mesmo no caso de Dom Luiz Flávio Cappio, que adotou a medida em protesto à transposição do rio São Francisco. Ela contou que só está resistindo com a ajuda de Deus. “Se fosse por minhas forças humanas, já estaria internada, na frente dele.”
No programa de rádio, Garotinho e a governadora Rosinha Matheus, sua mulher, atacaram Lula, a Globo, a "Veja" e os bancos, e reclamou que ainda não teve direito de resposta da TV Globo após mais de dois dias do pedido. O jornal “O Globo” concedeu a Garotinho uma página inteira na semana passada. “Nunca houve uma perseguição tão grande contra uma pessoa quanto a que estou sofrendo”, afirmou o ex-governador Anthony Garotinho.
Supervisão internacional
Eles informaram que a comissão de quatro deputados federais aliados que foi aos Estados Unidos pedir supervisão internacional do processo eleitoral brasileiro vai ter resposta da Organização dos Estados Americanos (OEA) na segunda e que se reuniria ontem com integrantes do Centro Jimmy Carter, do ex-presidente norte-americano. Garotinho reiterou que só um milagre salva sua candidatura.
“Minha candidatura, para ela acontecer, somente um milagre, porque com Calheiros, Sarney, Globo, os banqueiros contra mim, é muito difícil que consiga a candidatura, só um milagre, mas sou pessoa de muita fé. Eu acredito em milagres. Ele vai fazer milagres e vai me fazer candidato para que possa levantar esses poderosos e acabar com o que Lula está fazendo”.