Bairros

Ibama orienta fazer barulho para expulsar gambá de casa

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

Não são apenas os pequenos insetos, como baratas, e roedores, como ratos, que aparecem em residências da área urbana incomodando e assustando os moradores. Em Bauru não são raros os encontros de gambás em casas, principalmente nas de madeira - a estimativa é de três ocorrências por mês. Mais comum nos bairros próximos às áreas verdes, o gambá, que é um mamífero, deve ser expulso com ruídos.

Antes de recorrer aos órgãos públicos para capturá-los, o morador deve tentar expulsar esses animais de dentro de casa usando barulho e empurrando-os com uma vassoura, orienta Lélia Lourenço Pinto, chefe do escritório regional Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Bauru.

Porém, ela frisa que é preciso tomar cuidado para não machucar o gambá. Expulsando-o, ele pode retornar à floresta, seu habitat natural. Lélia conta que, em Bauru, a maioria dos gambás é vista passando sobre os muros, o que dificulta a captura. Muitas vezes, o animal, também por ser arisco, deixa o local antes da viatura chegar para apanhá-lo.

Ela ressalta que não há condições de disponibilizar um funcionário para esperar o gambá aparecer e capturá-lo. O animal, segundo Lélia, tem hábito noturno e não costuma ficar sempre no mesmo lugar. “A orientação que damos às pessoas é a mesma válida para a dengue, leishmaniose e caramujo, ou seja, a limpeza. Manter os quintas limpos, sem entulhos e resíduos de comida. Em quintais com árvores frutíferas, é importante recolher as frutas que caem no chão porque elas se tornam um prato cheio para o animal”, destaca.

Lélia também sugere que todas as frestas que existem na casa sejam tapadas, já que podem servir como porta de entrada para os gambás. Entretanto, ela faz um alerta. Antes de expulsar o mamífero, é necessário observar a presença ou não de filhotes. Caso o animal tenha parido, Lélia orienta a deixá-lo permanecer no local por mais alguns dias, até que os filhotes se desenvolvam.

O Ibama, assim como a Polícia Ambiental e o Zoológico Municipal de Bauru, não têm números oficiais sobre o aparecimento de gambás na área urbana de Bauru. Porém, a estimativa é de que três ocorrências com gambás sejam atendidas ao mês na cidade.

Os animais, depois de capturados, são submetidos a uma avaliação médica no zoológico e, em seguida, soltos em matas distantes da cidade para que não retornem às casas onde foram pegos. “A cada soltura que realizamos, procuramos diversificar as áreas para evitar uma superpopulação. Só não os devolvemos ao habitat natural quando, de fato, é constatado que não estão em condições de sobreviver sozinhos na mata”, comenta Lélia.

Ainda de acordo com Lélia, o surgimento desses animais na área urbana é mais comum na primavera, principalmente por ser o período de reprodução e também de maior disponibilidade de alimento no ambiente.

Carlos Alex Menezes Barbieri, titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), diz que a problemática não é exclusividade de Bauru, porém ressalta que nem todas as solicitações de captura feitas pela população podem ser atendidas.

“As cidades estão entrando nas florestas e os bichos não têm onde morar e, por isso, acabam vindo para dentro das casas. Hoje, as solicitações que nos chegam são encaminhadas ao Ibama, que tem feito o acompanhamento, mas muitas vezes, não têm como esperar para pegar os bichos. Entretanto, a população também não pode esperar. A Semma não tem jurisdição sobre animais - ela é exclusivamente do Ibama”, aponta Barbieri.

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Características

O gambá é um animal que assemelha-se ao rato. Apresenta pescoço grosso, focinho alongado e pontudo, além de membros curtos. Seu período máximo de vida é de quatro anos. Atualmente, seu habitat mais comum são florestas, campos e centros urbanos.

Ao ano, a fêmea pode dar até três crias e, em cada uma, gerar entre dez e 15 filhotes.“O animal nasce praticamente como um feto. Assim que expelidos pela vagina, migram através dos pêlos da mãe até as mamas e ficam alojados no marsúpio (bolsa). Ao crescerem, começa a andar grudados nas costas da mãe”, explica Mateus Pereira das Neves, biólogo do Ibama.

Ainda segundo ele, não é mito dizer que gambá exala mau cheiro. Porém, isso não ocorre a todo momento. O gambá tem uma glândula alojada próxima ao ânus, denominda perianal, que serve para sua defesa.

Quando ele se vê ameaçado, se finge de morto e exterioriza uma secreção através dessa glândula, o que provoca o mau cheiro. O predador entende que o animal está em decomposição, então desiste da presa”, completa o biólogo.

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