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‘Belíssima’ e ‘Cobras & Lagartos’ apresentam várias semelhanças

Por Mariana Botta | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O mundo da moda e do luxo, o glamour e a futilidade. Uma grande empresa disputada por herdeiros. Um bairro popular que existe na vida real. Vilões órfãos e suspeitos de vários crimes. Essas descrições correspondem a qual novela que está no ar, “Belíssima” ou “Cobras & Lagartos”? A nova trama das sete tem mostrado muita coisa em comum com a história de Silvio de Abreu. Talvez por isso venha agradando ao público.

“Cobras” recuperou cerca de cinco pontos da audiência do horário, que foi prejudicado pelo mau desempenho de sua antecessora, “Bang Bang”. Desde a estréia, a trama de João Emanuel Carneiro registra médias acima de 32 pontos e já conquistou a crítica. Além de a história abordar temas parecidos com os de “Belíssima” - o mundo das aparências, da ambição e da futilidade - o elenco de “Cobras & Lagartos” é formado por estrelas da emissora que o público acostumou a ver no horário das oito, como Francisco Cuoco, Marília Pêra, Carolina Dieckmann e Mariana Ximenes.

“As duas novelas jogam com grandes modelos de ficção, e isso causa as semelhanças”, analisa Mauro Alencar, doutor em telenovelas pela USP. Outra pesquisadora, a professora Maria Lourdes Motter, também da ECA/USP, afirma que as coincidências entre as duas novelas só podem ser propositais. “Em televisão, as coisas que funcionam sempre são reaproveitadas. Além disso, os dois autores têm estilos muito parecidos, e isso causa uma sensação ainda maior de igualdade.”

Um dos motivos de Silvio de Abreu e João Emanuel possuírem estilos parecidos de fazer novelas se deve ao fato de o primeiro ter sido uma espécie de mentor do segundo. “Em ‘Da Cor do Pecado’, o Silvio foi supervisor de texto do Emanuel. Isso pode tê-lo influenciado”, fala a professora. Procurado pela reportagem, Abreu disse que assistiu à novela do “pupilo” e que gostou muito, mas não viu “semelhança alguma com ‘Belíssima’”.

Ele afirma que moda e beleza são temas atuais e que é natural vários autores tratarem disso. “O mundo moderno se baseia nisso, na aparência. Vivemos em uma sociedade cada vez mais superficial, e acho que muitos autores devem estar sacando isso, da mesma forma que a maioria das novelas da década de 60 eram sobre temas sociais, as de 70 sobre as mudanças de costume da sociedade, e as da década de 80 sobre o individualismo.”

Diferentemente de Abreu, o pesquisador Mauro Alencar diz que os temas estão na moda desde 1970, quando foi exibida a novela “Pigmalião 70”, de Vicente Sesso (pai do ator e diretor Marcos Paulo). “Essa novela falava sobre beleza, moda e sobre como as pessoas podem se transformar. Esse assunto, de tempos em tempos, volta à baila na TV”, afirma Alencar. Para Maria Lourdes, o ideal é que uma emissora leve ao ar novelas diferentes a cada horário. “A ordem à qual o telespectador está acostumado é a de uma trama mais leve ou de época às seis, uma mais ágil e jovem às sete e uma mais densa e dramática às oito. É o que costuma funcionar bem.”

O risco, segundo a professora, é a proximidade de tema e estilo saturarem o assunto e cansarem o público, o que pode prejudicar as duas novelas. “Quem está em casa fica com poucas alternativas na programação. Pode ter a impressão de assistir a duas novelas das oito no mesmo dia e até confundir as histórias”, diz Maria Lourdes. Além das semelhanças apontadas, tanto “Belíssima” quanto “Cobras & Lagartos” trataram superficialmente do tema racismo, com Dagmar (Sheron Menezes) e Ellen (Taís Araújo).

Mas nem tudo é igual nas duas novelas. Enquanto em “Belíssima” os personagens são ambíguos e ninguém sabe quem é vilão e quem é mocinho, em “Cobras”, os papéis são bem definidos: Leona (Carolina Dieckmann) e Estevão (Henri Castelli) são maus mesmo. Já André, da novela das oito, faz as maldades contrariado. Nem os atores sabem se os personagens são bons ou maus, como Carolina Ferraz, que faz a Rebeca. “Faço as cenas de acordo com as indicações que vêm no roteiro. Um dia ela parece boa, no outro, malvada”, diz. “Em ‘Belíssima’, todos guardam um grande segredo”, diz Maria Lourdes.

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