Política

Zulaiê não aceita ceder vaga a Quércia

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Na reunião de ontem do PSDB, em Bauru, a deputada federal Zulaiê Cobra Ribeiro afirmou que não aceita abrir mão de sua candidatura ao Senado em favor de Orestes Quércia.

Faz parte dos planos do candidato a governador pelo partido, José Serra, uma coligação com o PMDB. Serra chegou inclusive a oferecer a vaga de vice e a vaga ao Senado na tentativa de atrair o grupo do ex-governador, mas a proposta encontra resistência dentro do próprio PSDB, como deixou claro ontem a deputada Zulaiê e o deputado estadual Pedro Tobias.

Ambos, afirmaram que se o partido levar adiante a proposta de oferecer a vaga de senador a Quércia, em troca de apoio na eleição deste ano, “vai ter guerra”. “Nós não vamos querer nenhum tipo de coligação com o Quércia”, declarou a deputada, para em seguida ressaltar a importância do partido lançar candidato próprio. “O PSDB não pode fica mais quatro anos sem senador. O partido governa São Paulo e não tem nenhum senador para representar o Estado. É um absurdo.”

Por diversas vezes durante a reunião, Zulaiê pressionou o presidente do partido em Bauru, Caio Coube, a também sair para a luta e lançar sua candidatura a deputado federal. “O PSDB em Bauru não pode ficar sem candidato”, declarou ela para o delírio dos filiados que estavam na reunião – a maioria também é a favor da candidatura própria para a Câmara Federal.

Zulaiê se dispôs até mesmo a emprestar seu número de candidata (4545) para incentivar Caio. O 45 é o número com o qual o PSDB disputa as eleições. Todos os candidatos a deputado são identificados por quatro números e, no caso do PSDB, os dois primeiros sempre é o 45. O número dobrado, além de reforçar a identidade tucana, é de fácil memorização.

A deputada disse que abre mão do número porque a intenção dela, na eleição deste ano, é a disputa pela vaga no Senado. Além dela, há também o interesse do deputado Antônio Carlos Mendes Thame de sair candidato pelo PSDB ao Senado.

Durante o pronunciamento dela sobrou até mesmo para o vereador Marcelo Borges, que desistiu de concorrer à Câmara dos Deputados com a alegação de que o partido demorou para se definir sobre sua candidatura e agora não haveria mais tempo para consolidar seu nome junto aos eleitores de Bauru e da região.

Segundo a deputada, ainda há tempo suficiente para o lançamento das candidaturas. Para reforçar sua opinião, Zulaiê lembrou que a definição sobre os candidatos ao Senado só ocorrerá na convenção do partido no dia 25 de junho. Mas a pressão foi maior sobre Caio.

Questionado pelo JC se continuava firme no propósito de não concorrer, apesar das constantes cobranças, Caio não se mostrou tão decidido como na reunião do mês passado. “Eu me sinto como um lutador de boxe que está sendo acuado contra as cordas do ringue”, comparou ele, sem dizer se mudará sua decisão sobre a candidatura.

Críticas ao PT

Diante de uma platéia deslumbrada com seu estilo provocador e muitas vezes irônico, a deputada fez seguidas críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT. Zulaiê classificou os petistas de arrogantes e responsabilizou o presidente pela onda de corrupção que assolou o Congresso.

“Eu não imaginava que a Câmara Federal pudesse ser tão desmoralizada. E a culpa é do PT, porque subornou os deputados”, disse. Questionada sobre a culpa dos parlamentares que aceitaram ser subornados, Zulaiê falou que não tem como cassá-los porque estão em maioria no Congresso.

Por causa de suas críticas e acusações contra o PT, a deputada foi processada pelo partido. A ação foi movida porque ela responsabilizou o PT pela morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel.

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